Quanto à possibilidade de resistência por parte de Israel e de alguns aliados no Ocidente, Karim Khan disse que era importante respeitar a universalidade do Direito Internacional.
O procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional anunciou que vai pedir a emissão de mandados para o líder da coligação no Governo em Israel, Benjamin Netanyahu, e para o ministro da Defesa, Yoav Gallant, ambos do partido Likoud.
Karim Khan disse, em entrevista exclusiva com a CNN Internacional, que o primeiro-ministro de Israel e o ministro da Defesa poderiam ser acusados de crimes de guerra, como o extermínio e o bombardeamento de civis de forma intencional durante os ataques contra o Hamas no Território Palestiniano da Faixa de Gaza.
“Vamos pedir mandados para o primeiro-ministro Netanyahu e também para o Ministro da Defesa Gallant pelos crimes de extermínio, de provocar a fome como método de guerra, incluindo a impedimento da distribuição de ajuda humanitário e pelo bombardeamento intencional de civis durante o conflito,” disse Khan.
Durante a entrevista, Khan explicou ainda que três líderes do movimento islamista Hamas, no poder na Faixa de Gaza, também poderiam ser alvo de mandados. Contra eles pesariam acusações como homicídio, violação e abuso de civis durante as detenções, para além da tomada de reféns civis em território estrangeiro.
“O mundo ficou em estado de choque de sete de outubro, quando as pessoas foram arrancadas da cama delas, da casa delas, dos kibbutzim em Israel. E as pessoas sofreram muitíssimo,” explicou Karim Khan à CNN Internacional.
Quanto à possibilidade de resistência por parte de Israel e de alguns aliados no Ocidente, Karim Khan disse que era importante respeitar a universalidade do Direito Internacional.
“Israel tem todo o direito de não prestar ajuda ao Hamas. Isso não é posto em causa. Israel tem todo o direito e o dever de recuperar os reféns, mas isso deve ser feito de acordo com a lei. O facto de que os militantes do Hamas precisem de água não justifica negar água a toda a população civil em Gaza.”
Netanyahu: “Uma decisão absurda”
Depois de anunciada a intenção do procurador Kahn, o primeiro-ministro de Israel fez uma declaração ao país em hebraico, transmitida pela televisão. Benjamin Netanyahu definiu a iniciativa do TPI como “absurda” e disse que não era possível comparar o Hamas ao exército de Israel.
“O absurdo e desonesto mandado do procurador em Haia tem como alvo não só o primeiro-ministro de Israel e o Ministro da Defesa, mas também todo o Estado de Israel,” disse Netanyahu.
“Tem como alvo os soldados do exército de Israel que estão a combater com uma coragem sem igual contra os assassinos do Hamas que nos atacaram com enorme brutalidade dia sete de outubro,” continuou o primeiro-ministro de Israel.
Uma opinião pública israelita desconfiada da ONU
Agora, o procurador-chefe do TPI deve transmitir o pedido a um painel de três juízes, cuja decisão deve ser conhecida dentro de dois meses.
Benjamin Netanyahu não está sozinho nas críticas à decisão do TPI. A imprensa conta que grande parte das elites no poder, especialmente à direita, acredita que a iniciativa do tribunal demonstra o quão enviesadas são as organizações do sistema das Nações Unidas contra o Estado hebraico. Isto, apesar da criação de Israel como Estado para os judeus sobreviventes do holocausto e dos judeus perseguidos como minoria em várias partes do mundo ter sido possível graças à ONU, depois da Segunda Grande Guerra Mundial e do Holocausto nazi.
A decisão do Tribunal Penal Internacional surge quando o Estado de Israel enfrenta uma acusação por genocídio, numa iniciativa da África do Sul perante outra instituição jurídica internacional, o Tribunal Internacional de Justiça.