Forças russas estagnaram perto do "Cinturão de Fortalezas" ucraniano e é "pouco provável" que o consigam conquistar este ano

CNN Portugal , MFP
30 mar, 19:28
Forças ucranianas treinam para ofensiva de primavera russa (Getty)

Desgaste das tropas russas aliado ao terreno fortificado da Ucrânia e a uma defesa à base de drones tem limitado a capacidade de a Rússia ganhar terreno

A ofensiva de primavera da Rússia arrancou há cerca de duas semanas, mas as forças russas estão a ter dificuldades em ganhar terreno na parte norte do “Cinturão de Fortalezas” da Ucrânia, no oblast de Donetsk.

Segundo um observador militar ucraniano citado pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), as tropas russas não conseguiram completar avanços na última semana, aproximadamente desde o dia 22 de março. Os elementos do 3.º Exército de Armas Combinadas russo, que combatem perto de Kryva Luka e Zatkitne - a leste de Sloviansk, a extremidade norte do cinturão ucraniano -, parecem ter estagnado depois de concluírem com sucesso uma operação tática contra as defesas ucranianas na região no mês passado.

Em paralelo, soldados dos 20.º e 25.º Exércitos de Armas Combinadas na direção de Lyman, do 8.º Exército de Armas Combinadas e do 3.º Corpo de Exército na direção de Kostiantynivka estão a avançar, mas a um ritmo ainda mais lento.

Neste momento, avança o ISW, é pouco provável que o exército da Rússia consiga tomar este ano a linha de defesas fortificada da Ucrânia, já que as únicas tropas em posição para avançar diretamente sobre Sloviansk estão paralisadas e sem forças de flanco capazes de acompanhar tal operação.

“Continua a ser pouco provável que as forças russas capturem o Cinturão de Fortalezas da Ucrânia em 2026, especialmente se muitas das forças envolvidas numa operação desse tipo permanecerem concentradas nas defesas ucranianas”, concluiu o ISW.

Para aquele especialista, os elementos do 3.º Exército de Armas Combinadas podiam antes ser mobilizados para apoiar operações russas em direção a Lyman ou Kostiantynivka, em vez de investirem no ataque direto contra a linha defensiva ucraniana, embora a decisão implicasse o abandono temporário do oblast de Donetsk.

Uma investida russa contra o “Cinturão de Fortalezas” abrandaria ainda mais o ritmo dos progressos russos a leste de Sloviansk e faria crescer de forma crítica e desproporcional o número de baixas relativamente aos ganhos reduzidos. Isto numa altura em que o padrão de baixas militares assume um ritmo cada vez mais insustentável, com Moscovo incapaz de recompor as perdas no campo de batalha.

Ao desgaste das forças russas soma-se o terreno fortificado da Ucrânia e a utilização de drones na defesa de Kiev, limitando a capacidade da Rússia para ganhar território.

Além disso, bloggers militares russos têm criticado a ineficácia da campanha de recrutamento das Forças de Sistemas Não Tripulados (USF) russas. Este domingo, um blogger admitiu que o recrutamento estagnou após recrutados oferecerem contratos militares convencionais, levando potenciais recrutas a acreditar que podem vir a ser transferidos para unidades de assalto de infantaria.

As críticas ao Ministério da Defesa russo têm vindo a intensificar-se a propósito da alegada incapacidade do governo de desenvolver uma USF tecnologicamente avançada e multifuncional, com os generais russos a resistir à inovação e a mudanças estruturais, afirmaram os bloggers.

O “Cinturão de Fortalezas” tem sido a espinha dorsal das defesas ucranianas no oblast de Donetsk desde 2014, configurando um ponto crítico para Kiev na guerra. Trata-se de uma cadeia de cidades fortificadas com cerca de 50 quilómetros que se estende de Sloviansk, passando por Kramatorsk, até Druzhkivka e Kostiantynivka.

A Rússia tem intensificado significativamente os ataques com drones, artilharia e aviação contra a Ucrânia, tendo sido registada a movimentação de equipamento pesado e a mobilização de mais tropas para a linha da frente.

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