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Dentro das entranhas nucleares da Rússia: a modernização subterrânea que Putin não queria ver exposta

29 mai 2025, 23:17
Vladimir Putin (EPA/ Vladimir Gerdo)
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Uma fuga de documentos militares (de mais de dois milhões, incluindo plantas técnicas) vem expor a profunda modernização das bases nucleares russas e o esforço oculto de Putin para reconstruir e fortificar as suas instalações — no caso as nucleares —, num contexto de guerra e escalada geopolítica. São detalhes até agora inacessíveis ao escrutínio público

Uma vasta fuga de documentos sobre as compras militares russas revelou detalhes até agora desconhecidos do programa de modernização das armas nucleares da Rússia. Obtidos por jornalistas de investigação dinamarqueses e alemães, os arquivos incluem plantas internas de bases de mísseis e complexas estruturas subterrâneas, oferecendo um retrato minucioso da evolução das forças estratégicas russas.

Quatro anos após a anexação da Crimeia, em 2018, Vladimir Putin apresentou uma nova geração de armamento nuclear, justificando-o como resposta à resistência ocidental. “Ninguém queria ouvir-nos. Agora, ouçam,” disse o presidente russo. Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022, o regime tem usado a ameaça nuclear como ferramenta para tentar intimidar o Ocidente.

A análise de mais de dois milhões de documentos pelo Danwatch e pela Der Spiegel confirmou que a modernização nuclear russa está em andamento e a um ritmo mais acelerado do que se imaginava. Não se trata de mera retórica, mas de uma reconstrução física e tecnológica de larga escala.

Entre os locais detalhados nas plantas divulgadas destaca-se a base de Yasny, na região de Orenburg, onde estão posicionados mísseis balísticos intercontinentais. Os documentos revelam desde cercas elétricas triplas até sistemas remotos de armas, centros de comando, ginásios e até zonas de lazer — todos cuidadosamente reconstruídos ou ampliados.

Para especialistas como Philip Ingram, ex-oficial britânico de inteligência que participa na investigação, esta fuga representa uma “informação definitiva”. Já Hans M. Kristensen, da Federação de Cientistas Americanos, sublinha que agora é possível “explorar todo o subterrâneo” das bases — algo sem precedentes na história da espionagem militar.

A origem desta fuga está em plataformas russas de aquisição militar mal protegidas, onde documentos sensíveis ficaram acessíveis publicamente durante anos. Surpreendentemente, incluem licitações recentes, até do verão de 2024, que confirmam que o programa está ativo e em expansão.

À medida que as forças convencionais russas enfrentam dificuldades no terreno, a importância do arsenal nuclear cresce como ferramenta de dissuasão. Embora a doutrina oficial proíba o primeiro uso, os documentos indicam que a Rússia aposta cada vez mais nesta capacidade como resposta ao apoio ocidental à Ucrânia.

Por fim, as instalações expostas incluem locais onde está implantado o veículo hipersónico Avangard, peça central na estratégia de dissuasão russa. Este conjunto de dados pode tornar estas bases vulneráveis, num momento em que a dependência do arsenal nuclear é um dos poucos pontos fortes que o regime mantém intacto.

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