"Éramos 90. Sessenta morreram logo naquele primeiro ataque". O relato de dois ex-combatentes do grupo Wagner

CNN | CNN Portugal , MM
13 fev 2023, 14:05
Grupo Wagner (AP)

Soldados foram recrutados enquanto cumpriam pena de prisão por homicídio e relatam à CNN que quem vacilasse era imediatamente abatido pelo próprio comandante

Dois antigos combatentes do grupo russo Wagner que foram capturados pelas forças ucranianas no ano passado contaram, em entrevista à CNN, as experiências que viveram no terreno no Leste da Ucrânia. Dizem que quem vacilasse era imediatamente abatido pelo próprio comandante.

“Éramos 90. Sessenta morreram naquele primeiro ataque, abatidos por morteiros. Um punhado ficou ferido”, disse um deles, relembrando o ataque perto de Bilohorivka.

“Se um grupo não tiver sucesso, outro é enviado imediatamente. Se o segundo não for bem-sucedido, eles enviam outro grupo”, acrescentou.

O outro combatente esteve envolvido num ataque que durou cinco dias, perto da cidade de Lysychansk, na fronteira de Luhansk-Donetsk, no leste da Ucrânia.

“Os primeiros passos na floresta foram difíceis por causa de todas as minas terrestres espalhadas. De 10 homens, sete foram mortos imediatamente”, disse ele.

“Não podemos ajudar os feridos. Os ucranianos atiravam violentamente contra nós. Então, tínhamos de continuar, caso contrário, éramos atingidos pelo fogo. (…) Uma pessoa está nisso durante cinco dias, com pessoas a morrer ao nosso lado, orando a Deus, implorando por água. Pensamos que podemos baixar a nossa arma e nada mais acontecerá. E então a luta recomeça 10 minutos depois, e [os ucranianos] continuam vindo atrás de nós. Não há nenhum sentimento ligado a isso. Apenas onda após onda”, acrescentou.

Ambos são casados e têm filhos e contam, na mesma entrevista, que foram recrutados enquanto cumpriam pena de prisão por homicídio.

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