Exército dos EUA está a usar uma nova granada - utiliza ondas de choque para matar

CNN , Brad Lendon
2 abr, 17:53
US ARMY GETTY IMAGES

"Uma granada que utilize BOP pode limpar uma sala de combatentes inimigos rapidamente"

O exército dos EUA introduziu no mês passado a sua primeira nova granada de mão letal desde a Guerra do Vietname, uma arma de plástico que utiliza ondas de choque em vez de estilhaços para matar inimigos.

O exército dos EUA aprovou a granada de mão ofensiva M111, de corpo plástico, a primeira nova granada de mão letal a entrar ao serviço desde 1968.

A nova granada, denominada M111, torna-se a escolha do exército para combate urbano, quando as tropas têm de limpar áreas interiores para tomar e manter território, uma vez que existe menos risco de danos colaterais.

É a primeira nova granada introduzida para as forças dos EUA desde 1968, quando a MK3A2 entrou em combate durante a Guerra do Vietname. Essa munição foi retirada na década de 1970 porque contém amianto, cujas minúsculas fibras podem alojar-se nos pulmões, conduzindo a doenças fatais, incluindo o cancro.

A sua retirada deixou os soldados com a atual granada principal, a M67, que envia estilhaços em todas as direções quando explode, podendo matar ou ferir civis ou forças amigas quando estes ricocheteiam em objetos sólidos de metal ou betão, ou penetram em paredes leves, por exemplo.

O uso de ondas de choque, ou sobrepressão de explosão (BOP), mata ou incapacita os inimigos com a força da explosão, vaporizando o invólucro exterior de plástico da arma.

As tropas fora de uma área fechada podem lançar a nova granada para dentro dessa zona e os inimigos não podem abrigar-se atrás de paredes interiores, móveis ou eletrodomésticos que os estilhaços podiam não conseguir perfurar, afirmou o exército.

"Uma granada que utilize BOP pode limpar uma sala de combatentes inimigos rapidamente, não deixando nenhum lugar para se esconderem, ao mesmo tempo que garante a segurança das forças amigas", disse o Coronel Vince Morris, gestor de projeto do programa no Picatinny Arsenal, em Nova Jérsia, num comunicado de imprensa do exército norte-americano.

"Quando a onda de alta pressão atinge alguém, comprime e descomprime violentamente os tecidos", explica uma ficha informativa das forças armadas.

"Os tímpanos, os pulmões, os olhos e o trato gastrointestinal são os que correm maior risco de rutura e danos graves em explosões menores."

Ondas de explosão maiores podem danificar o cérebro ou até amputar membros, acrescenta.

A granada é alimentada por RDX, um material explosivo utilizado pelos militares dos EUA durante décadas.

Os militares desenvolveram a nova munição cilíndrica, do tamanho da palma da mão, após a experiência em guerras anteriores no Médio Oriente, disse Morris no mesmo comunicado.

"Uma das principais lições aprendidas nos combates urbanos porta-a-porta no Iraque foi que a granada M67 nem sempre era a ferramenta certa para o trabalho. O risco de fratricídio do outro lado da parede era demasiado elevado", afirmou.

A granada de fragmentação M67 não vai desaparecer. As tropas continuarão a transportá-la para uso em terreno aberto "para maximizar os efeitos letais dos fragmentos", referiu o comunicado do exército dos EUA. Passarão apenas a ter a M111 para utilização em interiores.

A M67, do tamanho de uma bola de basebol, foi introduzida juntamente com a MK3A2 em 1968. Seguiu-se à M26, introduzida no início da década de 1950, e à icónica Mk 2 - chamada de granada "ananás" devido à sua aparência - que foi introduzida na primeira guerra mundial e utilizada durante a segunda guerra mundial.

Entretanto, o corpo de fuzileiros navais dos EUA (US Marine Corps) está também a adquirir outra granada BOP, a M21, do fabricante norueguês Nammo, de acordo com dados de contratação do governo dos EUA.

Os EUA e outros exércitos possuem uma arma semelhante, a granada termobárica, também conhecida como munição de ar-combustível. Esta liberta uma névoa de combustível no ar e depois incendeia-a, libertando uma onda de choque e uma bola de fogo que criam um efeito de vácuo, sugando o oxigénio da área da explosão.

E.U.A.

Mais E.U.A.

Mais Lidas