“Nada fazia crer que não fosse uma pessoa”. Responsáveis políticos de Berlim, Madrid e Viena terão sido enganados com deepfakes do autarca de Kiev

27 jun, 07:00
Autarca de Berlim enganada em videochamada deepfake com o presidente da Câmara de Kiev

Políticos europeus enganados com videochamadas falsas em nome de Vitali Klitschko

Políticos responsáveis por várias capitais europeias foram ludibriados com videochamadas de alguém que se fazia passar por Vitali Klitschko, autarca de Kiev. Contudo, este alegado sósia - igual e com voz semelhante a Klitschko - parece ter sido um vídeo deepfake, ou seja, criado por uma tecnologia de inteligência artificial capaz de fabricar vídeos falsos de outras pessoas, mas altamente convincentes.

A presidente da Câmara Municipal de Berlim, Franziska Giffey, participou numa videochamada, na sexta-feira, na plataforma de videoconferência Webex, com alguém que a própria diz que soava ao autarca de Kiev e parecia-se com ele.

“Não havia sinais de que a videoconferência não estava a ser feita com uma pessoa real”, referiu a responsável política de Berlim na conta oficial de Twitter.

A interação terá durado cerca de 15 minutos e só levantou suspeitas quando o falso Vitali Klitschko pareceu pedir que os refugiados ucranianos na Alemanha regressassem para fins militares.

Perante as desconfianças da autarca de Berlim, quando a ligação terminou, o gabinete alemão contactou o embaixador ucraniano na Alemanha, que confirmou através das autoridades de Kiev que a pessoa no vídeo não era o verdadeiro Klitschko, explica o jornal alemão Der Spiegel. “Parece que estamos a lidar com o deepfake”, diz o gabinete da autarca de Berlim.

Esta tecnologia utiliza uma forma de inteligência artificial baseada em “deep learning” (que utiliza sistemas computacionais complexos assentes em redes de aprendizagem automática) para criar imagens, animações ou até vídeos que mimetizam pessoas reais. 

“É triste que na realidade a guerra esteja a ser travada com todos os tipos de meios, inclusivo a internet, com o objetivo de minar a confiança nos meios digitais e desacreditar os parceiros aliados da Ucrânia”, lamenta Franziska Giffey.

Em Espanha, a Câmara de Madrid terá também apresentado uma queixa às autoridades contra alguém que se fez passar pelo autarca de Kiev numa videochamada com José Luis Martínez-Almeida, responsável político da capital espanhola.

Também em Viena, na Áustria, o presidente da Câmara Municipal, Michael Ludwig, anunciou no Twitter que na quarta-feira que falou através de videoconferência com Vitali Klitschko. O tweet acabou por ser apagado este sábado, pouco depois de a conta oficial da capital austríaca ter divulgado uma declaração em que diz que o autarca foi aparentemente vítima de um “caso grave de cibercrime”.

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