"Deixem-nos tentar". Putin desafia Ocidente a ir para o campo de batalha lutar contra a Rússia

7 jul, 18:38
Vladimir Putin (Mikhail Klimentyev/AP)

Num longo discurso de provocação, o presidente russo culpou ainda Estados Unidos e União Europeia pela crise alimentar que se vive no mundo

O presidente da Rússia sugeriu que o Ocidente avançasse para o campo de batalha na Ucrânia para tentar derrotar as tropas russas, mostrando depois, em palavras irónicas, que não acredita que isso possa ser possível.

"Hoje ouvimos dizer que nos querem derrotar no campo de batalha. O que podemos dizer... deixem-nos tentar. Ouvimos muitas vezes que o Ocidente quer lutar contra nós até ao último ucraniano. Isto é uma tragédia para o povo ucraniano, mas tudo parece apontar nesse sentido", afirmou Vladimir Putin, numa reunião com membros dos Líderes da Rússia, citado pela agência Reuters.

Continuando nas críticas ao Ocidente, Vladimir Putin acusou os países mais desenvolvidos de serem os grande responsáveis pela crise alimentar mundial, afastando as responsabilidades da Rússia nessa questão, numa altura em que grande parte dos cereais que saem da Ucrânia (um dos maiores produtores do mundo) estão bloqueados nos portos do Mar Negro, como em Odessa ou Mariupol.

"Eles estão a transferir as culpas da crise para a Rússia. Os especialistas sabem que a crise começou com a pandemia, e começou a emergir porque as economias desenvolvidas começaram a abusar da sua posição de monopólio monetário", afirmou, acusando ainda países como os Estados Unidos de terem imprimido moeda com maior rapidez. "Na Zona Euro imprimiram 2,5 biliões de euros, dinheiro que foi injetado na economia e entregue às pessoas", acrescentou, criticando não o que foi feito, mas a forma como foi feito.

"Isso não é mau, nós fizemos mais ou menos o mesmo, mas com uma precisão cirúrgica e cuidado para não causar inflação como aconteceu lá", referiu.

Ponto de situação e "libertação" do Donbass

Mudando o discurso para aquilo a que chama uma "operação militar especial", o presidente russo disse que a situação na Ucrânia ainda pode vir a intensificar-se, referindo mesmo que a Rússia ainda não entrou "a sério" na guerra.

O presidente da Rússia afirmou ainda que os habitantes do Donbass estiveram sujeitos a isolamento e genocídio nos últimos oito anos, remetendo para o início da batalha pela região ucraniana, que começou por surgir após a anexação da Crimeia, e sobretudo por via de militares separatistas pró-russos.

“Nem sequer falo dos bombardeamentos, mas isto é isolamento e genocídio”, afirmou Vladimir Putin, citado pela agência TASS, numa reunião com os líderes da Rússia.

Segundo o chefe de Estado russo, o país vai fazer tudo para restaurar as condições de vida no local, nomeadamente na autoproclamada República Popular de Lugansk.

“Falamos de 3,7 milhões de pessoas em Lugansk e Donetsk”, acrescentou Vladimir Putin.

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