Rússia diz não ter “qualquer intenção de atacar” a Ucrânia mas não responde ao pedido de "desescalada" feito pelos Estados Unidos

Agência Lusa , BCE
10 jan, 20:26
Sergei Ryabkov (AP)
Sergei Ryabkov (AP)

Moscovo garante ainda que não há "qualquer razão para recear uma escala da situação" na fronteira com o país vizinho, mas pede aos Estados Unidos que não o subestime

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Negociadores da Rússia e dos Estados Unidos abordaram, esta segunda-feira, em Genebra a situação na Ucrânia, com Moscovo a assegurar não ter “qualquer intenção de atacar” o país vizinho e Washington a reiterar advertências sobre uma eventual invasão. 

“Explicámos aos colegas [norte-americanos] que não temos planos, não temos a intenção de atacar, entre aspas, a Ucrânia”, disse no final do encontro o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov.

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O negociador russo assegurou ainda não existir “qualquer razão para recear uma escalada da situação nesse plano”. 

Mas Riabkov também indicou que Washington não deve “subestimar” o risco de um confronto, e assegurou que os norte-americanos “levam muito a sério” os avisos emitidos por Moscovo, em particular sobre as consequências de um eventual alargamento da NATO em direção a leste. 

Rússia não respondeu ao pedido dos Estados Unidos para "desescalada"

Já a vice-secretária de Estado norte-americana, Wendy Sherman, presente nas discussões, indicou por sua vez que a Rússia não forneceu resposta ao pedido dos EUA de “desescalada” na fronteira ucraniana.

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Em declarações por telefone aos jornalistas, Sherman considerou ainda que esta medida pode ser tomada pela Rússia “reenviando para os seus quartéis os soldados concentrados nas últimas semanas na fronteira” com a Ucrânia, onde os Estados Unidos calculam estarem atualmente perto de 100 mil militares russos. 

Ao ser questionada sobre uma eventual reação do interlocutor desta segunda-feira, o seu homólogo russo Serguei Riabkov, a responsável do Departamento de Estado respondeu: “Não penso que conheçamos a resposta a isso”. 

Apesar das declarações de Riabkov sobre a ausência de intenção de invadir a Ucrânia, Sherman referiu que qualquer ação militar significará “custos significativos”, descritos como “enormes”, que os ocidentais infligirão à Rússia. 

Sublinhou ainda não ter a intenção de negociar o dossier ucraniano sem associar Kiev, nem abordar em detalhe a arquitetura da segurança na Europa sem os europeus.

Sherman também assinalou que a política de “portas abertas” da NATO vai prosseguir, apesar de manifestar disposição em manter para breve o diálogo com a Rússia, incluindo sobre o controlo recíproco de armamento e as manobras militares na Europa, outro dos temas abordados no encontro de Genebra. 

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A escalada militar russa na fronteira com a Ucrânia será discutida novamente esta semana em reunião da Rússia com a Aliança Atlântica em Bruxelas na quarta-feira e na reunião do Conselho Permanente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, na quinta-feira.

Os ocidentais antecipam uma possível invasão russa do território ucraniano, como a de 2014 que culminou na anexação da península da Crimeia. 

A Rússia reclama um compromisso da NATO de não integrar a Ucrânia na aliança militar, o que Blinken assinalou não estar em cima da mesa.

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