Vários aliados foram obrigados a destacar meios para obrigar as forças russas a saírem do espaço europeu, numa operação que durou mais de um mês e que andou perto de cabos submarinos
O Reino Unido, a Noruega e outros países realizaram uma operação de várias semanas para deter submarinos espiões russos perto de cabos submarinos no Atlântico Norte, confirmou o chefe da Defesa do Reino Unido esta quinta-feira, acusando Moscovo de usar a distração da guerra com o Irão para intensificar atividades maliciosas contra a Europa.
O secretário da Defesa disse que uma fragata da Marinha Real, aeronaves e centenas de militares estiveram envolvidos no rastreio de um submarino de ataque russo e de dois submarinos espiões que operavam a norte do Reino Unido, e impediram as embarcações de espionagem de realizar operações "nefastas".
John Healey acrescentou que as embarcações russas finalmente deixaram a área após a operação, que durou mais de um mês.
O Reino Unido afirmou que outros aliados também estiveram envolvidos, mas não os nomeou.
Os países da NATO têm manifestado repetidamente preocupação com a possibilidade de a Rússia utilizar a sua frota de navios espiões para sabotar cabos submarinos dos quais dependem as comunicações globais. A Rússia rejeitou estas alegações.
Healey disse que a sua mensagem ao presidente russo, Vladimir Putin, foi: "Vemos a sua atividade sobre os nossos cabos e os nossos oleodutos e o senhor deve saber que qualquer tentativa de os danificar não será tolerada e terá consequências graves."
O ministro da Defesa da Noruega, Tore Sandvik, afirmou em comunicado que a operação russa decorreu em zonas marítimas norueguesas e britânicas nas últimas semanas.
A Noruega e o Reino Unido declararam que a atividade foi coordenada pela Direcção Principal de Investigação em Águas Profundas da Rússia, conhecida como GUGI, que faz parte das Forças Armadas russas. A atividade serve como um lembrete de que a Rússia está a melhorar as suas capacidades de mapear e sabotar as infraestruturas críticas ocidentais a grandes profundidades oceânicas, afirmou o Ministério da Defesa da Noruega.
Healey acrescentou que os submarinos são “projetados para monitorizar infraestruturas subaquáticas em tempos de paz e sabotá-las em caso de conflito”.
Em novembro, o Reino Unido informou a Rússia que estava preparado para lidar com qualquer incursão no seu território após a deteção do navio espião Yantar na orla das águas britânicas a norte da Escócia.
Healey afirmou que a atividade submarina ocorreu na zona económica exclusiva do Reino Unido, que se estende por (370 quilómetros) da costa, mas não nas suas águas territoriais mais estreitas.
As autoridades britânicas têm tentado manter a Rússia em evidência internacional, mesmo com a atenção mundial focada no conflito no Médio Oriente. Têm também enfatizado a sobreposição entre os conflitos na região e na Ucrânia, afirmando que a Rússia forneceu ao Irão peças de drones e outros tipos de apoio.
Healey declarou em conferência de imprensa que "Putin gostaria que nos distraíssemos com o Médio Oriente", mas a Rússia é a principal ameaça ao Reino Unido e aos seus aliados.
"Não vamos tirar os olhos de Putin", afirmou.
No final de março, o Reino Unido declarou que as suas Forças Armadas estavam prontas para apreender navios suspeitos de fazerem parte da "frota paralela" russa, composta por embarcações que transportavam petróleo em violação das sanções internacionais impostas pela guerra de Moscovo contra a Ucrânia. Anteriormente, o Reino Unido apenas auxiliava a França e os EUA na monitorização dos navios antes de serem abordados.
"Estamos prontos para agir" contra as embarcações, completou Healey.