Ataques à educação em guerras aumentam a nível mundial, denuncia relatório

Agência Lusa , AM
20 jun, 12:55
Primeiro dia de aulas em Israel

Nos últimos dois anos, os investigadores do Coligação Global para Proteger a Educação contra Ataques registaram os números mais elevados de ataques à educação na Palestina, Ucrânia e República Democrática do Congo

Cerca de 6.000 ataques à educação ocorreram em 2022 e 2023, quase mais 20% em comparação com os dois anos anteriores, afetando mais de 10.000 pessoas, denunciou a Coligação Global para Proteger a Educação contra Ataques (GCPEA).

No relatório anual intitulado ‘Education Under Attack 2024' ('Educação Sob Ataque 2024'), divulgado pela Human Rights Watch (HRW), a organização dá conta de que mais de 10.000 estudantes, professores e académicos foram prejudicados, feridos ou mortos nestes ataques, que ocorreram em conflitos armados em todo o mundo.

Nos últimos dois anos, segundo o documento, enviado à agência Lusa, os investigadores do GCPEA registaram os números mais elevados de ataques à educação na Palestina, Ucrânia e República Democrática do Congo (RDCongo).

Em cada um destes países, centenas de escolas foram ameaçadas, saqueadas, queimadas, atingidas por engenhos explosivos improvisados ou por bombardeamentos ou ataques aéreos.

Os ataques aumentaram na Palestina, Sudão, Síria e Ucrânia, com a organização a observar uma tendência decrescente na República Centro-Africana (RCA), Líbia, Mali e Moçambique.

"Em locais como Gaza, além da terrível perda de vidas, a própria educação está a ser atacada. Os sistemas escolares e universitários foram encerrados e, nalguns casos, completamente destruídos. Isto terá consequências a longo prazo na recuperação social e económica, uma vez que as infraestruturas necessárias à paz e à estabilidade foram atacadas”, afirmou Lisa Chung Bender, diretora executiva da organização.

Segundo o relatório, além dos mortos e feridos, os ataques contra a educação danificaram ou destruíram centenas de estabelecimentos de ensino, obrigando a encerramentos temporários ou permanentes e a semanas ou meses de aprendizagem perdidos.

Alguns estudantes também sofreram danos psicológicos devido aos ataques ou tiveram medo de regressar à escola, segundo a coligação.

As raparigas e os estudantes com deficiência foram dos mais afetados pelos ataques à educação, tendo ambos os grupos tido mais dificuldades em retomar a aprendizagem após os ataques.

Os investigadores registaram mais de 475 ataques a escolas na Palestina em 2023, muitos dos quais envolveram ataques aéreos e terrestres israelitas com armas explosivas.

Os ataques atingiram o pico após a escalada das hostilidades em outubro, quando os combatentes liderados pelo Hamas realizaram um ataque em grande escala a Israel e as forças armadas israelitas a retaliarem com uma ofensiva militar intensiva na Faixa de Gaza.

“Os ataques continuam em 2024. Em Gaza, todas as universidades e mais de 80% das escolas tinham sido danificadas ou destruídas até abril, de acordo com o Cluster da Educação dos Territórios Palestinianos Ocupados”, sublinhou Bender.

As armas explosivas, que estiveram envolvidas em cerca de um terço de todos os ataques relatados à educação a nível mundial em 2022 e 2023, tiveram efeitos particularmente devastadores, matando ou ferindo inúmeros estudantes e educadores e danificando centenas de escolas e universidades.

Os ataques à educação envolvem forças armadas e grupos armados não estatais que bombardeiam e incendeiam escolas e universidades, e que matam, ferem, violam, raptam, prendem arbitrariamente e recrutam estudantes e educadores em instituições de ensino ou nas suas imediações, durante os conflitos armados, indica o documento.

“Nalguns casos, as escolas e as estudantes do sexo feminino são atacadas numa tentativa de impedir que as raparigas aprendam e participem na educação. Noutros casos, as escolas, os estudantes e os educadores sofrem violência indiscriminada ou são visados por razões políticas, militares, ideológicas ou outra”, denuncia a organização.

Na Nigéria, os raptos de estudantes e professores continuaram durante o período abrangido pelo relatório, embora a taxa de tais ataques tenha diminuído em comparação com os anos anteriores. Entretanto, um grande número de estudantes e educadores foram ameaçados, raptados, feridos ou mortos na Palestina, nos Camarões e no Iraque em 2022 e 2023.

As partes em conflitos armados também visaram escolas para recrutar crianças na RDCongo, na Somália, na Síria e no Iémen. Na Colômbia, pelo menos 25 estudantes foram recrutados em escolas ou ao longo de percursos escolares em 2022 e 2023, muitos dos quais estudantes indígenas.

As forças armadas, as forças de segurança ou os grupos armados também foram alegadamente responsáveis por violência sexual em escolas e universidades, ou no caminho de ida e volta para as mesmas, em pelo menos oito países, incluindo os Camarões, o Níger e o Sudão do Sul.

Os ataques a escolas representaram mais de metade de todos os ataques comunicados contra a educação e o uso militar identificados pela coligação.

A Ucrânia (700 ataques a escolas) e a Palestina (640) foram os países mais afetados, seguidos pela RDCongo, Burkina Faso e Iémen.

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