Ajuda militar, claro, mas não só, já que também estão a ser enviadas várias toneladas de medicamentos e comida
Há anos a receber ajuda do Irão na guerra contra a Ucrânia, a Rússia está agora a retribuir o favor. De acordo com análises dos serviços de informação europeus, Moscovo está a completar uma entrega faseada de drones a Teerão.
De acordo com o Financial Times, o entendimento europeu é de que o Kremlin procura, assim, não deixar cair um dos seus parceiros estratégicos e ideológicos, nomeadamente na visão contra o Ocidente.
Vários responsáveis iranianos e russos começaram, logo no início da guerra, a discutir o possível envio de drones para Teerão, sabendo-se que essa é uma das grandes armas do regime, que os tem lançado praticamente contra todos os alvos no Médio Oriente, incluindo países vizinhos como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou o Catar.
O processo de entregas começou logo no início de março e deve estar concluído no fim do mês, sendo que a Rússia também está a enviar medicamentos e comida para o país, que enfrenta escassez de produtos, além da já conhecida partilha de informação, nomeadamente através de imagens de satélite.
Questionado sobre o possível envio de drones da Rússia para o Irão, o porta-voz do Kremlin não comentou diretamente o caso: “Há muitas mentiras a circular agora. Uma coisa é verdade - vamos continuar a dialogar com a liderança iraniana”, afirmou Dmitry Peskov.
Uma mensagem clara de que Moscovo continua a apoiar a liderança iraniana e o seu regime, que continua a tentar resistir, mesmo depois da morte do Líder Supremo.
De resto, a parte medicinal é oficial, já que o Kremlin anunciou a transferência de mais de 13 mil toneladas em medicamentos para o Irão através do Azerbaijão, planeando continuar a enviar ajuda a esse nível.
O Irão faz dos drones uma das suas armas mais letais e mais abrangentes, tendo já lançado cerca de três mil durante o conflito, sabendo-se que esta tecnologia é altamente avançada no país - já quase toda a gente conhece os drones Shahed -, que chegou a fornecer vários veículos não-tripulados à Rússia no início da invasão à Ucrânia.
A tecnologia iraniana na produção de drones é tão sofisticada que foi nessa base que a Rússia começou a produzir os seus próprios drones suicidas a partir de 2023, modificando o desenho iraniano para conseguir escapar melhor às defesas da Ucrânia e carregar mais explosivos a bordo.
Entretanto, o Kremlin desmentiu estas informações, garantindo que não está a enviar drones para o Irão.