O dia em que Portugal disse "não" a Trump

16 mar, 22:00
Donald Trump com uma maquete de um bombardeiro B-2 na Casa Branca (Julia Demaree Nikhinson/AP)

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O presidente dos Estados Unidos tem um problema com a NATO: “Estamos sempre lá para eles, mas eles nunca estiveram lá para nós”. E o problema está maior, agora que muitos dos aliados confirmaram a recusa em enviar tropas para o Médio Oriente, algo que Donald Trump não percebe.

"Obviamente, não há qualquer envolvimento neste conflito. Essa é a nossa posição desde o início e mantemos", garantiu o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, alinhando com a posição dos líderes europeus, que quiseram deixar claro que o que está a acontecer no Médio Oriente é uma guerra que envolve apenas Estados Unidos, Israel e Irão.

Ao contrário do que aconteceu com a base das Lajes, que desde a primeira hora teve porta aberta para ser um local de apoio à operação, Portugal decidiu desta vez não ceder aos Estados Unidos.

Mas não é só Portugal, França ou Reino Unido. Donald Trump também quer a ajuda do Japão, Coreia do Sul ou China, países que importam petróleo do Médio Oriente, o que os devia motivar, segundo o presidente norte-americano, a avançar para a ajuda.

É que o Estreito de Ormuz está cada vez mais intransitável e os preços começam a sofrer alterações um pouco em todo mundo, nomeadamente à boleia dos preços dos combustíveis, que vão escalando de dia para dia, como se viu esta segunda-feira em Portugal.

Só que nenhum desses países parece pensar da mesma forma. Apesar disso, “há alguns” dispostos a ajudar os Estados Unidos. A garantia é do próprio Donald Trump, que não quis divulgar nomes, deixando isso para “breve”.

"Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, penso que será muito mau para o futuro da NATO", avisou o presidente dos Estados Unidos um dia antes, ainda que sem explicar quão mau seria ou de que forma é que os aliados podem ser atingidos.

A CNN Portugal fez uma análise à retórica de Donald Trump, o que permitiu perceber que um dos pilares da defesa europeia pode estar mesmo em cima da mesa. Miguel Baumgartner, especialista em Relações Internacionais, sugere que o apoio até aqui dado à Ucrânia pode sofrer um duro rombo, o que teria impactos significativos na resistência à Rússia.

Para a Europa, e nas palavras do governo da Alemanha, “esta não é uma guerra da NATO”, nem sequer mesmo daquele que Donald Trump considera “o Rolls Royce” dos aliados.

“Depois de obliterarmos [o Irão] e destruirmos o exército deles e se ter tornado uma zona muito mais segura, ele [Starmer] disse que vai enviar dois porta-aviões. Eu disse ‘já não os quero, não os quero depois de ganhar’”, afirmou, numa renovada crítica ao aparente atraso na resposta do Reino Unido.

Com cada país a aparecer a conta-gotas contra o pedido de Donald Trump, a União Europeia esclareceu mais tarde que é mesmo assim: “Não há vontade” de ajudar os Estados Unidos na sua guerra no Irão, ainda que a segurança marítima continue a ser uma preocupação real.

Alheios à política, os militares continuam as suas operações. Israel abriu uma segunda frente de batalha no Líbano, onde intensificou a guerra contra o Hezbollah, provocando já mais de um milhão de deslocados que foram obrigados a sair de casa perante a chegada da guerra.

A resposta chega na medida já vista, com o Irão a manter os ataques contínuos a alvos dos Estados Unidos e Israel em todo o Médio Oriente. Apesar dos avisos, países como o Iraque, os Emirados Árabes Unidos ou o Catar continuam a ser atacados.

A guerra continua e a operação Fúria Épica não pára, mas a Newsletter da CNN Portugal retoma a sua publicação semanal, pelo que esta é a última edição diária. Fique ligado para acompanhar tudo o que acontece no mundo, com foco especial na Ucrânia e no Médio Oriente.

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