O que se sabe sobre o que a Ucrânia e a Rússia estão a discutir hoje nas negociações

16 mar, 13:09
A mesa das negociações de paz na Bielorrússia

Rússia diz que hipótese de seguir o modelo de neutralidade da Áustria ou Suécia terá sido proposta pela Ucrânia. Só que fonte da presidência ucraniana nega essa possibilidade

As negociações entre Rússia e Ucrânia conheceram esta quarta-feira novos capítulos, mas as duas partes parecem estar desencontradas em algumas informações.

A Rússia admitiu a possibilidade de vir a existir uma Ucrânia “desmilitarizada”, desde que seja feito de acordo com o exemplo de países como a Áustria ou a Suécia, que mantêm neutralidade internacional, não sendo Estados-membros da NATO.

“Esta é uma variante que está em discussão e que pode ser vista como um compromisso”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em declarações à agência RIA, citadas pela Reuters.

Na Áustria, um dos países referidos pela Rússia, a neutralidade consagrada na constituição proíbe a entrada de alianças militares e o estabelecimento de bases militares estrangeiras naquele território.

A hipótese começou por ser avançada por Vladimir Medinsky, a principal figura russa nas negociações com a Ucrânia, que disse à televisão estatal russa que foi a própria Ucrânia quem sugeriu a solução: “A Ucrânia oferece um Estado neutral desmilitarizado, uma versão da Áustria ou Suécia, mas ao mesmo tempo um Estado com o seu próprio exército”.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia disse que a neutralidade é um tema “seriamente discutido” atualmente. À televisão RBC, Sergei Lavrov afirmou que as conversas podem estar “próximas de um acordo”.

No entanto, esta parece ser uma versão que não é reconhecida por Kiev. Em declarações à agência AFP, fontes da presidência ucraniana garantem que esta solução seria rejeitada.

Oficialmente, a última posição ucraniana dá conta de negociações para um modelo de garantias de segurança, algo que, segundo Mykhailo Podolyak, negociador ucraniano, está “em cima da mesa”.

“Isso significa um acordo rígido com um número de garantias e obrigações legais para prevenir ataques”, acrescentou, através do Twitter.

Neste assunto, Sergei Lavrov vai pelo mesmo caminho, tendo referido a possibilidade das garantias de segurança, que teriam de ser feitas através de “formulações específicas”.

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