Um quadro com vários nomes, muitos deles polémicos, e no qual apenas um país da União Europeia aceitou estar
“Conselho da Paz”. O nome é pomposo à partida e parece apontar à resolução de quase todos os problemas da humanidade, mas nem todos querem associar-se a este novo clube formado pelo presidente dos Estados Unidos, que tem na Faixa de Gaza o seu primeiro grande projeto.
Visto como um rival da Organização das Nações Unidas (ONU), o “Conselho da Paz” entrou formalmente em vigor, com vários líderes a assinarem um documento vinculativo disso mesmo em plena Europa, mesmo que muitos países europeus pareçam estar contra a ideia.
Noruega e Suécia, por exemplo, foram convidadas, mas responderam um redondo “não” à iniciativa de Donald Trump. Já o Reino Unido, que não foi tão claro em afastar a participação, decidiu faltar à cerimónia de assinatura por causa do envolvimento do presidente da Rússia.
De resto, Vladimir Putin - que formalmente ainda não aceitou integrar este grupo, mas Donald Trump garantiu que o faria - não é o único nome pouco consensual deste grupo. Lá estão também os presidentes da Bielorrússia ou da Argentina, Alexander Lukashenko e Javier Milei, além do pouco popular primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

Todos aceitaram pertencer a este grupo, que conta já com as ratificações de países como Israel, Azerbaijão, Marrocos, Egito ou Arábia Saudita.
Do outro lado da barricada estão, além da Noruega e da Suécia, França e Eslovénia, que também recusaram fazer parte do grupo que quer tutelar a paz no mundo, mas que tem vários responsáveis pela existência de guerras. Já Itália, por exemplo, não recusou de forma pública, mas até a sua própria Constituição proíbe o país de fazer parte de uma organização deste género, já que, de acordo com a primeira-ministra, Giorgia Meloni, entra em conflito com alguns estatutos da lei fundamental.
Jà a Alemanha, por exemplo, também optou por ficar de fora da assinatura, mesmo que o seu chanceler, Friedrich Merz, tenha estado a discursar em Davos horas antes.
“Vai ser o conselho mais prestigiado alguma vez formado”, garantiu Donald Trump, que admitiu a presença de “pessoas controversas” neste grupo, mas decidiu inclui-las porque tratam de “fazer o trabalho”, são pessoas com uma “influência tremenda”.
De resto, e minutos antes de assinar o documento, o presidente dos Estados Unidos admitiu que há pessoas de quem não gosta, mas nenhuma delas faz parte deste novo grupo.
"Cada um deles é meu amigo. Gosto de cada um deles. Acreditam? Normalmente há dois ou três de quem não gosto", atirou Donald Trump, já depois de dizer que "todos os países querem fazer parte" deste "Conselho da Paz", mesmo sabendo que a posição pública de alguns dos convidados vai contra essa informação.
| País | Aceitou | Recusou |
| Israel | X | |
| Azerbaijão | X | |
| Emirados Árabes Unidos | X | |
| Marrocos | X | |
| Vietname | X | |
| Cazaquistão | X | |
| Hungria | X | |
| Argentina | X | |
| Arménia | X | |
| Bielorrússia | X | |
| Egito | X | |
| Kosovo | X | |
| Paquistão | X | |
| Paraguai | X | |
| Albânia | X | |
| Bulgária | X | |
| Uzbequistão | X | |
| Bahrain | X | |
| Arábia Saudita | X | |
| Jordânia | X | |
| Turquia | X | |
| Catar | X | |
| Indonésia | X | |
| Mongólia | X | |
| Noruega | X | |
| Suécia | X | |
| França | X | |
| Eslovénia | X |
Com Donald Trump como presidente vitalício, o “Conselho da Paz” contará com nomes como o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, mas também o enviado-especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, além do genro do presidente norte-americano, Jared Kushner.
Dele fazem ainda parte o antigo primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, ou ministros da Turquia e Emirados Árabes Unidos, além de um responsável das secretas do Egito ou do presidente do Grupo Banco Mundial.
Embora a União Europeia torça claramente o nariz à ideia - dos 27 Estados-membros só a Hungria e a Bulgária fazem parte -, o primeiro encontro deste “Conselho da Paz” aconteceu precisamente em solo europeu, mais precisamente em Davos, na Suíça, onde Donald Trump continua a espalhar o seu poder.
De referir que a Hungria aceitou prontamente, mas a presença da Bulgária não era certa até se ter visto a composição do palco em Davos, onde o primeiro-ministro do país, Rossen Zhelyazkov, foi visto.
Todos os líderes dos países que aceitaram fazer parte do projeto fazem parte dos quadros a partir de agora, sendo que figuras como o Papa Leão XIV também foram rápidas a declinar o convite.
Quanto à China, embora não tenha recusado fazer parte, mostrou-se pouco entusiasmada com o projeto, optando por falhar a reunião inicial.