Bomba nuclear é o tema quente de toda a guerra, até mesmo antes de ela existir
“Obliterado” em junho de 2025 e, mais recentemente em março de 2026, o programa nuclear do Irão parece ter mais alicerces do que os Estados Unidos e Israel gostariam.
A expressão “obliterar” é do presidente norte-americano, que já garantiu por duas vezes ter atingido de forma decisiva a principal investigação do regime dos aiatolas, que continua a negar a procura por uma arma nuclear.
Foi precisamente para realizar essa “obliteração” que os bombardeiros B-2 saíram dos Estados Unidos nessas duas fases diferentes, já que só eles conseguem transportar e largar as bombas necessárias para perfurar as densas montanhas iranianas que escondem toda a investigação, independentemente da finalidade da mesma.
O problema é que a avaliação mais recente das secretas norte-americanas mostra que as montanhas continuam a levar a melhor em relação às GBU-57, as tais bombas construídas com o objetivo de rebentar com bunkers, não estão a funcionar totalmente.
Segundo a agência Reuters, a última avaliação aponta que o prazo para o Irão conseguir construir uma arma nuclear não mudou desde o último verão, quando os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel conseguiram adiar em um ano esse horizonte.
Ainda segundo a mesma avaliação, esta dificuldade em destruir o programa nuclear através de bombardeamentos mostra que o caminho para aniquilar decisivamente a investigação do Irão pode passar pela destruição ou a remoção de todo o armazenamento de urânio altamente enriquecido, material essencial para desenvolver uma bomba nuclear.
Este cenário, nomeadamente na segunda hipótese, obrigaria sempre os Estados Unidos a colocar botas no terreno, algo que não é de todo popular junto do eleitorado de Donald Trump, que tem resistido a esse cenário a todo o custo.
Uma outra via é a negociação. O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, já disse publicamente que um dos objetivos das negociações que decorrem há quase um mês é garantir que o Irão desiste da procura por uma arma nuclear, mas não é crível que Teerão abandone esse objetivo a qualquer custo.
Com a pressão a aumentar também no Estreito de Ormuz, que ameaça estrangular o mundo economicamente, há outro prazo que os Estados Unidos veem com uma preocupação talvez ainda maior. É que antes da apelidada “Guerra dos 12 Dias” o Irão estaria a um máximo de seis meses de conseguir construir uma bomba nuclear. E se os ataques desse período, nomeadamente às instalações de Natanz, Fordow e Isfahan, tiveram sucesso, a busca só foi atrasada para o máximo de um ano.
As negociações continuam, claro, mas se não houver algo de concreto, o Irão poderá ficar a meses de conseguir aquilo que mais quer e que Estados Unidos e Israel tanto desejam impedir.
“Nunca poderá ser permitido ao Irão ter uma arma nuclear. Este é o objetivo desta operação”, escreveu o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, a 2 de março.
Será que vai ser possível cumprir esse objetivo?
