Ucrânia e Rússia tentam a paz enquanto Kiev é palco de combates e explosões. O que aconteceu durante a madrugada?

28 fev, 07:21

Cerco a Kiev continua, mas forças da resistência conseguiram defender a cidade durante mais uma noite. Delegações de Putin e de Zelensky reúnem-se na Bielorrússia para tentar negociar um cessar-fogo, num momento em que se intensifica a ameaça nuclear

Uma longa mesa, com dezenas de cadeiras e, no fundo, três bandeiras: ucraniana, russa e bielorrussa. Será em Gomel, na Bielorrússia que as delegações de Zelensky e de Putin vão estar frente a frente para negociar a paz, ainda que a madrugada tenha sido marcada por violentos combates em Kiev, Kharkiv, Kherson e Chernihiv.

A quinta noite de batalhas na Ucrânia começou com o resultado do referendo constitucional na Bielorrússia que aprovou a renúncia do estatuto de neutralidade nuclear do país. A nova constituição pode levar armas nucleares a solo bielorrusso pela primeira vez desde que o país as abandonou após a queda da União Soviética. Bielorrússia tem sido, de resto, uma porta de entrada de militares para o teatro de guerra, com o governo ucraniano a anunciar durante a madrugada que vários tropas estão a utilizar a região de Gomel para chegar à Ucrânia. Já em Zhytomyr, a cerca de 100 quilómetros a noroeste de Kiev, Militares ucranianos anunciaram um ataque contra as forças russas com o uso de drones, tendo destruído um sistema de mísseis BUK.

Em Chernihiv, a 150 quilómetros da capital ucraniana, um míssil atingiu durante a madrugada um edifício residencial no centro da cidade. Na sequência deste ataque, atribuído às forças da Rússia, foi registado um incêndio em dois andares. O número de vítimas é, atualmente, incerto, afirma o governo ucraniano.

 

No entanto, e sob o impacto de algumas explosões, o cerco russo voltou a apertar na capital ucraniana que resistiu durante toda a noite e ate a manhã desta segunda-feira, com o Ministério da Defesa a sublinhar que "todas as tentativas de quebrar as forças de defesa falharam", de acordo com um comunicado do Comandante da Defesa de Kiev, o Coronel General Alexander Sirsky.

O Coronel General acrescentou que o adversário sofreu perdas significativas na capital. "As tropas russas estão desmoralizadas e exaustas e nós mostrámos que podemos proteger a nossa casa de hóspedes não convidados".

 

 

 

Durante a operação ofensiva no ar e na terra, a Rússia continuou a infligir fogo em aeroportos, postos de controlo e infraestrutura crítica, de acordo com o Exército ucraniano. Em Polissya, na direção de Kiev, os militares de ambos os lados lutam pelo controlo de uma ponte no rio Irpin, na área de Demidiv.

O Ministério da Defesa disse também que a Ucrânia conseguiu repelir a invasão à cidade de Irpin. “As forças de defesa ucranianas destruíram novos equipamentos inimigos. Em todas as direções, tanques e unidades mecanizadas das Forças Armadas da Ucrânia com o apoio da artilharia mantêm a defesa das fronteiras”, afirma o governo no seu canal oficial na rede telegram.

Novas imagens de satélite mostraram também uma coluna militar russa com cerca de cinco quilómetros de comprimento em direção à capital.

 

Imagens de satélite captadas pela empresa Maxar

De acordo com a empresa norte-americana Maxar, que partilhou as imagens este domingo, a coluna foi observada por volta das 10:56 da manhã hora local (08:56 em Lisboa) na estrada P-02-02, perto da região de Ivankiv - a 60 quilómetros de Kiev. As imagens foram partilhadas no mesmo dia em que o presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, garantiu que não existem tropas russas na capital e que as forças armadas ucranianas estão a repelir todos os ataques nos arredores da cidade, avança a agência Reuters. "Os nossos militares, polícias e forças de defesa territorial continuam a detetar e neutralizar os sabotadores russos", garantiu Vitaly Klischko no seu canal de Telegram. 

A Maxar identificou ainda camiões de combustível e de fornecimento logístico, além de tanques, veículos de infantaria e artilharia que circulavam na coluna militar. 

 

Fez-se história nas Nações Unidas. Pela primeira vez desde 1982, o Conselho de Segurança da ONU convocou uma sessão especial de emergência da Assembleia Geral das Nações Unidas na segunda-feira.

A  convocação da sessão de emergência foi aprovada com 11 votos a favor, sendo que a Rússia votou contra e a China, Índia e Emirados Árabes Unidos abstiveram-se, de acordo com um comunicado recente da agência. Isto, num momento em que o presidente ucraniano disse a Boris Johnson, durante uma conversa ao telefone, que as próximas 24 horas “vão ser cruciais”.

 

 

A presidente da Comissão Europeia reiterou também que a Ucrânia "pertence à União Europeia" e que Bruxelas tem vontade de integrar o mercado ucraniano no Mercado Único. Ursula Von der Leyen salientou ainda que a UE tem uma "cooperação muito estreita na rede de energia". "De facto, ao longo do tempo, a Ucrânia pertence-nos. São um de nós", disse von der Leyen.

Durante a madrugada desta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos anunciou que vai conversar com aliados e parceiros ocidentais às 16:15 horas. O objetivo, afirma a Casa Branca em comunicado, é discutir "as implicações do ataque da Rússia à Ucrânia e coordenar uma resposta unida". 

Por outro lado, Vasily Nebenzya, representante permanente da Rússia nas Nações Unidas, afirmou que a maior ameaça à Ucrânia "são os nacionalistas que, de facto, "mantêm as pessoas como reféns e usam-nas como escudo humano". "Há inúmeras evidências que provam que os nacionalistas colocaram equipamentos militares ​​e vários lança-foguetes em áreas residenciais. É uma violação do Direito Internacional Humanitário", diz Nebenzya.

 

 

Também Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, lançou duras críticas ao seu homólogo ucraniano e garantiu que continuará “neutro” na guerra. Bolsonaro afirmou que os "ucranianos confiaram o destino da nação a um comediante", referindo-se ao passado de Zelenski como ator.

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