Dinamarca deu ordem para resposta militar aos EUA na Gronelândia dias antes da garantia de Trump

23 jan, 11:35
Navio dinamarquês na Gronelândia (Evgeniy Maloletka/AP)

Forças Armadas estavam prontas para defender a ilha depois de um consenso político generalizado que envolveu governo e oposição

A situação acalmou nas últimas horas, mas a Dinamarca estava a preparar-se para um cenário totalmente diferente.

De acordo com o jornal DR, políticos e militares estavam totalmente preparados para uma operação militar dos Estados Unidos, com várias opções em carteira para responder a isso.

Uma delas era o confronto militar direto. É o pior dos cenários, como descreve a publicação, mas que estava mesmo em cima da mesa caso a Gronelândia fosse atacada pelos Estados Unidos.

De acordo com fontes militares e políticas que falaram ao DR, dois dias antes do discurso em que Donald Trump tranquilizou - mesmo que apenas momentaneamente - a Europa, a Dinamarca deu ordem para que todas as forças estivessem em estado de prontidão para uma resposta militar.

Essa mesma ordem veio do topo, com o objetivo de reforçar a defesa da Gronelândia e elaborar um plano de ação o mais rápido possível, num documento com várias páginas que descrevia pormenorizadamente o que tinha de ser feito.

A ordem seguiu-se a um visível destacamento militar, com a Dinamarca a enviar soldados e equipamentos para a maior ilha do mundo, até porque a vontade política ia além do governo. O DR diz mesmo que havia um consenso alargado à oposição de que um ataque norte-americano devia ter uma resposta militar.

Apesar de sempre terem considerado um ataque como algo improvável, os líderes dinamarqueses só ficaram mais tranquilos depois de ouvirem Donald Trump falar em Davos, onde excluiu o uso da força.

Até essas palavras, o governo e as Forças Armadas da Dinamarca estavam mesmo preparados para aquele que consideravam como o pior cenário de todos, a invasão efetiva da Gronelândia.

Segundo o DR, esta é uma operação planeada há já algum tempo, ainda que os recentes desenvolvimentos tenham provocado o delinear de grande parte da estratégia.

Entre as ordens mais sérias da Dinamarca estava o destacamento de forças militares com munições reais, o que confirmava que a preparação se fazia para um exercício, mas com prontidão total para um conflito real.

De acordo com o DR, eram munições que os soldados deviam ter perto de si caso necessitassem de entrar em combate efetivo.

Mesmo perante um aparente alívio provocado pelas palavras de Donald Trump, a operação “Resistência Ártica” vai continuar a operar 24 sobre 7, com as Forças Armadas dinamarquesas a terem uma presença substancial no terreno.

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