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Investimento da Europa em Defesa dispara. Cinco países gastam mais que todo o resto do mundo

CNN , Brad Lendon
27 abr, 09:52
Uma mulher posa para as fotografias numa exposição ao ar livre que comemora o desfile militar de 1941 na Praça Vermelha, em Moscovo, na Rússia, a 7 de novembro de 2025 (Fotografia de Alexander Zemlianichenko Jr/Xinhua via Getty Images)

Gasto em despesas militares já ronda os três biliões de dólares

Os gastos militares globais aumentaram quase 3% em 2025, impulsionados sobretudo pelo crescimento exponencial das despesas com a Defesa na Europa e na Ásia, segundo um relatório divulgado esta segunda-feira por um respeitado grupo de fiscalização de armamento.

Os gastos com Defesa na Europa saltaram 14% em relação a 2024, atingindo os 864 mil milhões de dólares, e na Ásia-Oceania o aumento foi de 8,1%, para 681 mil milhões de dólares, informa o Instituto Internacional de Investigação da Paz de Estocolmo (SIPRI) no seu relatório anual “Tendências nos Gastos Militares Mundiais”.

No total, foram gastos quase 2,9 biliões de dólares em programas militares em todo o mundo em 2025, um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior. Este valor representa 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, a percentagem mais elevada desde 2009, de acordo com o SIPRI.

Os Estados Unidos, a China, a Rússia, a Alemanha e a Índia foram os países que mais gastaram, representando coletivamente 58% do total global.

Embora o relatório note que o aumento anual dos gastos totais representa uma queda em relação ao aumento de 9,7% registado em 2024, afirma que tal se deveu principalmente ao facto de os Estados Unidos não terem aprovado novos gastos para ajudar a armar a Ucrânia em 2025. O SIPRI contabiliza a assistência militar estrangeira nas contas do país doador.

Quando os EUA são excluídos das estatísticas, os gastos globais com a Defesa aumentaram 9,2% em 2025, segundo o relatório.

Ainda assim, os EUA continuam a ser o país que mais gasta em Defesa no mundo - 954 mil milhões de dólares em 2025 -, seguidos pela China, com cerca de 336 mil milhões de dólares, e pela Rússia, com cerca de 190 mil milhões de dólares.

Mas foram os aliados dos EUA em todo o mundo que lideraram o aumento das despesas, revelando algumas mudanças geracionais.

“Em 2025, os gastos militares dos membros europeus da NATO cresceram mais rapidamente do que em qualquer outro momento desde 1953, refletindo a busca contínua pela autossuficiência europeia, juntamente com a crescente pressão dos Estados Unidos para reforçar a divisão de responsabilidades dentro da aliança”, disse Jade Guiberteau Ricard, investigadora do Programa de Gastos Militares e Produção de Armamento do SIPRI, em comunicado.

Entre os países da NATO com grandes aumentos estão a Bélgica (59%), Espanha (50%), Noruega (49%), Dinamarca (46%), Alemanha (24%), Polónia (23%) e Canadá (23%).

O gasto militar total da Alemanha, de 114 mil milhões de dólares, coloca-a em 4.º lugar no mundo.

Na Ásia, o Japão aumentou os seus gastos militares em 9,7%, para 62,2 mil milhões de dólares, segundo o relatório. Em relação ao PIB japonês, os 1,4% gastos em Defesa representam a percentagem mais elevada desde 1958, de acordo com o relatório.

“Os aliados dos EUA na Ásia e na Oceânia, como a Austrália, o Japão e as Filipinas, estão a gastar mais com as suas Forças Armadas, não só devido às tensões regionais de longa data, mas também devido à crescente incerteza sobre o apoio dos EUA”, afirma Diego Lopes da Silva, investigador sénior do SIPRI.

Entretanto, Taiwan, a ilha democrática e autogovernada que o Partido Comunista Chinês reivindica como parte do seu território, apesar de nunca a ter controlado, aumentou as suas despesas militares em 14,2%, para 18,2 mil milhões de dólares (2,1% do PIB), o maior salto desde pelo menos 1988, segundo o SIPRI.

De acordo com a Lei das Relações com Taiwan, Washington é legalmente obrigado a fornecer à ilha os meios para se defender e fornece armamento defensivo a Taipé.

Os gastos com a Defesa da China aumentaram 7,4% - o maior salto anual da última década e o 31.º ano consecutivo de crescimento - à medida que Pequim avança para atingir o objetivo de modernizar as suas Forças Armadas até 2035, segundo o relatório.

Em termos percentuais do PIB, a Ucrânia é o país que mais gasta em Defesa no mundo, com cerca de 40%. Kiev está no seu quarto ano de luta contra uma invasão russa. A Ucrânia ocupa o 7.º lugar no ranking mundial.

A Rússia destinou 7,5% do seu PIB às Forças Armadas, um aumento de 5,9% face a 2024.

“Em 2025, os gastos militares em percentagem dos gastos governamentais atingiram o nível mais elevado alguma vez registado tanto na Rússia como na Ucrânia”, explica o investigador do SIPRI, Lorenzo Scarazzato. “É provável que estes gastos continuem a crescer em 2026, caso a guerra prossiga, com o aumento das receitas provenientes das vendas de petróleo da Rússia e a expectativa de um grande empréstimo da União Europeia à Ucrânia.”

Analisando outras regiões, a Arábia Saudita foi o país que mais gastou em Defesa no Médio Oriente, com 83,2 mil milhões de dólares, um aumento de 1,4% face ao ano anterior.

Israel veio logo a seguir, com gastos de 48,3 mil milhões de dólares na região. Este valor representa uma queda de 4,9% em relação ao ano anterior, devido à diminuição das hostilidades em Gaza depois de Israel e o Hamas terem acordado um cessar-fogo em janeiro de 2025, segundo o SIPRI.

O Irão registou uma queda de 5,6% nas suas despesas em termos reais, mas a elevada inflação de 42%, somada ao financiamento proveniente de vendas de petróleo não contabilizadas, significa que os gastos militares de Teerão provavelmente aumentaram, segundo o relatório.

“Os números oficiais subestimam quase certamente o verdadeiro nível de despesa do Irão - o país também utiliza receitas petrolíferas extra-orçamentais para financiar as suas Forças Armadas, incluindo a produção de mísseis e drones”, afirma Zubaida Karim, investigadora do SIPRI.

Na Ásia Meridional, os gastos militares da Índia, impulsionados pelo conflito com o Paquistão, dispararam 8,9%, atingindo os 92,1 mil milhões de dólares. Nova Deli ocupa o 5.º lugar no ranking mundial e gastou mais 80 mil milhões de dólares do que Islamabad.

Em África, os gastos militares aumentaram 8,5% no geral, atingindo os 58,2 mil milhões de dólares. Este valor colocaria todo o continente no 11.º lugar se fosse um só país, atrás do Japão e à frente de Israel. A Argélia é o país que mais gasta no continente e só fica atrás da Ucrânia em termos de PIB alocado às Forças Armadas (25%). O SIPRI prevê aumentos ainda maiores nos gastos com a Defesa para o ano em curso.

"Considerando a gama de crises atuais, bem como as metas de gastos militares a longo prazo de muitos países, este crescimento irá provavelmente continuar até 2026 e mais além", reitera o investigador do SIPRI, Xiao Liang, no relatório.

Espera-se que os EUA sejam um dos principais impulsionadores deste crescimento. O Congresso já aprovou mais de um bilião de dólares em despesas de Defesa para 2026, dado que a guerra contra o Irão, que está prestes a entrar no seu terceiro mês, custa a Washington cerca de mil milhões de dólares por dia.

Para 2027, a administração Trump propõe um orçamento de Defesa de 1,5 biliões de dólares.

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