Corpo encontrado: morreu o Líder Supremo do Irão

António Guimarães , Atualizada às 01:38
28 fev, 19:48
Nesta foto divulgada pelo site oficial do gabinete do líder supremo iraniano, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei ouve um orador numa reunião em Teerão, Irão, na segunda-feira, 20 de outubro de 2025. (Gabinete do líder supremo iraniano via AP)

Depois de Israel o sugerir e de os Estados Unidos o confirmarem, o Irão ainda foi negando, mas acabou por admitir a morte do aiatola Ali Khamenei

O Líder Supremo do Irão morreu na vaga de ataques conduzida por Estados Unidos e Israel, confirma um responsável israelita à agência Reuters, indicando que o corpo do aiatola Ali Khamenei foi encontrado.

De resto, são já vários os indícios desse mesmo cenário, já que também a imprensa israelita está a dar a mesma informação, que surge minutos depois de o primeiro-ministro de Israel ter dito que havia “vários sinais” de que o aiatola Ali Khamenei já não estava “entre nós”.

Já depois de todas estas informações, o presidente dos Estados Unidos garantiu que "Khamenei está morto", antecipando a continuação da vaga de ataques ao longo da semana.

Horas depois, e no fim de um dia em que se desdobrou em canais e momentos para garantir que o seu líder estava vivo e em segurança, também o Irão confirmou a morte do aiatola. De resto, também a filha e um neto de Ali Khamenei morreram.

De acordo com o Channel 12, canal de televisão de Israel, uma fotografia do corpo do aiatola Ali Khamenei já foi mostrada ao primeiro-ministro israelita. Ainda segundo a mesma informação, o Líder Supremo do Irão estava no seu complexo em Teerão, um dos locais atingidos nas primeiras horas da operação conjunta.

Ainda sem a certeza da morte do grande inimigo, Benjamin Netanyahu apelou à população iraniana que não pare, pedindo-lhes que "inundem as ruas" contra o que ainda resta do regime, que é muito. Isto porque o aiatola é o Líder Supremo, mas a Revolução Islâmica está altamente enraizada, nomeadamente na Guarda Revolucionária Islâmica.

Tanto assim é que as secretas norte-americanas avisaram Donald Trump de que a substituição do aiatola em caso de morte podia vir precisamente da Guarda Revolucionária Islâmica.

Sabendo disso mesmo, Benjamin Netanyahu instou os iranianos a saírem às ruas e a terminarem o trabalho iniciado por Estados Unidos e Israel. De recordar que o ano começou com manifestações maciças contra o regime que foram reprimidas com uma violência brutal, o que até levou Donald Trump a prometer ajuda ao povo.

Agora, várias semanas depois, aquilo que se entende por ajuda, na ótica em que pode incentivar o derrubar do regime instituído em 1979, chegou na forma de operação militar.

Estados Unidos e Israel iniciaram na manhã deste sábado uma grande operação militar contra o Irão, depois de não ter havido fumo branco nas negociações que os norte-americanos esperavam que acabassem com o abandono do programa nuclear iraniano.

Dezenas de localidades foram atingidas e há mais de 200 mortos a contar do lado do Irão, que retaliou de forma imediata contra oito países no Médio Oriente, a maioria deles com bases norte-americanas.

Foram os casos de Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque ou Jordânia, mas também de Arábia Saudita, que protestou contra a ação iraniana. Alheio a isso, o Irão garantiu que todas as ações contra alvos norte-americanos e israelitas na região eram legítimos, disparando dezenas de mísseis e drones, muitos deles com efeitos visíveis em zonas civis.

É o caso de um edifício de apartamentos no Bahrein ou de um hotel de luxo no Dubai, por exemplo, ambos atingidos durante a vaga de ataques do Irão.

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