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Europa deve "normalizar relações com a Rússia" para voltar a ter "energia barata", defende primeiro-ministro belga

16 mar, 15:09
Vladimir Putin (EPA)

 

 

Bart De Wever diz que em privado os líderes europeus concordam com esta posição, mas receiam assumi-lo publicamente. A União Europeia já veio dizer que o caminho escolhido é para manter e que "no futuro" não importará "sequer uma molécula da Rússia"

O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, defendeu em entrevista ao jornal belga L’Echo, no fim de semana, que a União Europeia devia "normalizar as relações com a Rússia" para poder voltar a ter "energia barata".

"Temos de normalizar as relações com a Rússia e recuperar o acesso a energia barata. É uma questão de bom senso. Em privado, os líderes europeus concordam comigo, mas ninguém se atreve a dizê-lo em voz alta. Temos de pôr fim ao conflito no interesse da Europa, sem sermos ingénuos em relação a Putin", afirmou De Wever, um nacionalista flamengo de direita que já tinha contestado o apoio incondicional dos 27 à Ucrânia.

Para De Wever, apoiar financeira e militarmente Kiev, ao mesmo tempo que se tenta enfraquecer Moscovo, não é viável sem o apoio dos Estados Unidos.

"Tendo em conta que não conseguimos pressionar Putin enviando armas para a Ucrânia, e que não podemos sufocar a sua economia sem o apoio dos EUA, só resta um método: fazer um acordo", argumentou o primeiro-ministro.

A UE já reagiu às declarações do governante, um nacionalista de direita flamengo [Nova Aliança Flamenga], que também foram criticadas internamente.

O fim da dependência energética tem sido um dos pilares da estratégia europeia para fazer ceder a Rússia, mas a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão fez disparar os preços do petróleo e do gás natural. Ainda assim, garantiu o comissário europeu da Energia, a estratégia da UE é clara e é para manter.

"Decidimos na União Europeia que não queremos importar energia russa. Antes do Natal transformámos isso em lei. Seria um erro repetir o que fizemos no passado. No futuro, não importaremos sequer uma molécula da Rússia", assegurou Dan Jørgensen.

As afirmações de De Wever também não caíram bem a nível interno, com o ministro dos Negócios Estrangeiros Maxime Prévot, que é igualmente vice-primeiro-ministro, do partido de centro-esquerda Les Engagés, a dizer que "normalizar" envia um sinal errado para a Rússia.

"Devemos dialogar com a Rússia? Sim. É isso que é a diplomacia: falar, inclusive com aqueles de quem discordamos. Mas diálogo não é o mesmo que normalização. E essa é uma distinção crucial. A Rússia recusa atualmente uma presença europeia à mesa das negociações. Enquanto isso acontecer, falar de normalização envia um sinal de fraqueza e mina a unidade europeia de que precisamos agora mais do que nunca", considerou Prévot, garantindo que o apoio da Bélgica à Ucrânia "permanece inalterado".

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