Enviado do presidente norte-americano chega esta sexta-feira a Moscovo para reunião com o presidente russo
Os Estados Unidos vão exigir à Rússia que aceite o direito de a Ucrânia ter o seu próprio exército e uma indústria de defesa. Esta parece ser a primeira exigência favorável a Kiev, quando vão começando a ser conhecidos os detalhes da proposta de paz da administração Trump.
De acordo com a Bloomberg, que cita fontes com conhecimento das negociações, este deverá ser um dos temas em cima da mesa durante a reunião desta sexta-feira entre o enviado do presidente dos Estados Unidos e o presidente da Rússia.
Steve Witkoff é esperado em Moscovo para um encontro com Vladimir Putin e, afinal, não serão apenas propostas agradáveis para o Kremlin a estar em discussão.
Esta exigência vai ao encontro do que Kiev pretende desde o início, mas também do que os aliados europeus defendem. Em sentido contrário, exige a Vladimir Putin que abdique de um dos seus objetivos principais: uma Ucrânia desmilitarizada.
Isto depois de se ter ficado a saber que os Estados Unidos têm três exigências favoráveis à Rússia: um cessar-fogo com as atuais linhas da frente, a não adesão da Ucrânia à NATO e o reconhecimento ucraniano de que a Crimeia é parte da Federação Russa.
Este é, assim, um novo sinal de que a administração Trump também procura algumas concessões do lado do Kremlin, num dia em que o presidente norte-americano pediu diretamente a Vladimir Putin, através da rede social Truth Social, que “pare” com ataques como o desta madrugada.
E há ainda outra novidade que vai contra a Rússia, embora possa não ir necessariamente a favor da Ucrânia. Os Estados Unidos querem que a central nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, regresse para o lado ucraniano, o que não significa totalmente que isso beneficie Kiev.
Isto porque os Estados Unidos querem incluir praticamente toda a infraestrutura energética da Ucrânia no seu acordo de minerais. O controlo da central nuclear passaria, assim, a ser administrado por Washington, DC.
Há ainda uma terceira concessão que favorece a Ucrânia. Os Estados Unidos pretendem que Kiev consiga ter passagem sobre o rio Dniepre, nesta altura decisivo na divisão de regiões como Kherson, na confirmação do que já tinha sido dito pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance.
Isso obrigaria Vladimir Putin a ceder parte do território conquistado, sendo que o presidente da Rússia reclama que Lugansk, Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson são território russo por direito, nomeadamente depois do referendo ilegal realizado em 2022.
Tudo isto numa altura em que Donald Trump vai, aqui e ali, criticando ambos os líderes, ainda que de forma mais incisiva em relação a Volodymyr Zelensky. Parece ser mesmo como disse a porta-voz da Casa Branca: “O presidente está a perder a paciência”.
