Israel arquivou 88% dos casos de alegados crimes de guerra sem culpas ou acusações. Relatório denuncia  “um padrão de impunidade”

3 ago 2025, 08:52
Tropas de Israel (Associated Press)

Desde outubro de 2023, houve 52 incidentes em que o exército israelita reconheceu estar a investigar crimes de guerra ou abusos de militares. Apenas um soldado foi condenado

Quase nove em cada dez investigações militares abertas por Israel sobre alegados crimes de guerra, ou abusos cometidos pelos seus soldados, desde o início do conflito em Gaza foram encerradas sem encontrar culpados ou permanecem sem resolução, revela um relatório da organização Action on Armed Violence (AOAV). 

A Action on Armed Violence é uma organização independente, sediada no Reino Unido, e que se dedica a investigar, analisar e reportar o impacto da violência armada em zonas de conflito e em contextos civis.

Entre os casos por resolver estão a morte de pelo menos 112 palestinianos que aguardavam por farinha em Gaza, em fevereiro, o ataque aéreo que matou 45 pessoas num campo de tendas em Rafah, em maio, e o tiroteio que vitimou 31 civis junto a um ponto de distribuição alimentar em junho. 

Na altura, as Forças de Defesa de Israel (IDF) negaram os relatos, mas admitem agora que o caso “ainda está a ser analisado”.

Segundo a AOAV, entre outubro de 2023 e junho de 2025 houve 52 incidentes em que o exército israelita reconheceu estar a investigar alegações de danos a civis em Gaza e na Cisjordânia. Estes casos envolveram 1.303 mortos palestinianos e 1.880 feridos. 

Apenas um soldado foi condenado, com uma pena de sete meses de prisão por agressão a detidos palestinianos.

Cinco outros processos resultaram em sanções disciplinares, incluindo a demissão de um coronel e um major após a morte de sete trabalhadores humanitários num ataque aéreo. Contudo, 88% dos casos acabaram arquivados sem culpa ou permanecem sem desfecho.

O exército israelita afirma que todas as queixas são “submetidas a um processo de análise” e que várias investigações ainda estão em curso. Ainda assim, os responsáveis pela AOAV falam num “padrão de impunidade” e numa crescente opacidade dos processos, à medida que aumentam as vítimas civis.

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