MUNDIAL 2026

Saiba tudo aqui
Mais sobre o Mundial 2026

O próximo choque na oferta mundial: óleo de motor

CNN
19 mai, 17:33
Óleo de motor
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Os preços do óleo de motor estão a subir rapidamente devido à guerra no Médio Oriente, que interrompeu cadeias de abastecimento críticas. Especialistas alertam para possível escassez, sobretudo de óleos mais usados em carros modernos, o que pode levar a preços mais altos para os consumidores

Os preços grossistas do óleo de motor estão a subir rapidamente, e alguns executivos da indústria estão a avisar para uma iminente escassez causada pela guerra com o Irão.

Os danos em instalações-chave no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz combinaram-se para criar uma tempestade perfeita neste pequeno, mas crítico, segmento do mercado petrolífero.

O risco é que alguns dos tipos mais populares de óleo de motor fiquem em muito curta oferta, obrigando os condutores a adiar a mudança de óleo ou a recorrer a lubrificantes de qualidade inferior.

"Estamos a enfrentar escassez - não tenho qualquer dúvida na minha mente", afirma Holly Alfano, CEO da Independent Lubricant Manufacturers Association (ILMA), um grupo de comércio da indústria, à CNN. "É uma grande confusão - e não vai ser resolvida rapidamente. Pode demorar um ano ou mais até vermos algum alívio real."

O óleo de motor mais importante

Tom Glenn, presidente e fundador da Petroleum Trends International e editor da publicação da indústria JobbersWorld, tem acompanhado as múltiplas rondas de aumentos de preços vertiginosos no óleo de motor desde o início da guerra.

"Três rondas de aumentos de preços em dois meses e meio é algo sem precedentes. E a dimensão é impressionante", explica Glenn à CNN. "Estou neste setor desde 1979 e nunca vi nada assim."

Num ano normal, os produtores de óleo de motor aumentariam os preços para distribuidores em 70 a 80 cêntimos por galão. Mas já este ano, segundo Glenn, alguns produtores aumentaram os preços para distribuidores que compram em grande escala em 5 dólares ou mais por galão.

Estes aumentos de preços estão a ser impulsionados por uma combinação de preços mais altos do crude, óleos-base, aditivos, transporte, embalagens e logística.

Não só os preços estão a subir, como a ILMA alerta para uma "escassez iminente" de óleos de baixa viscosidade, incluindo 0W-16, 0W-8 e 0W-20 - que é o tipo mais importante de óleo de motor no mercado hoje.

É o óleo de motor de referência para veículos mais recentes, representando cerca de um terço da procura total de óleo de motor para automóveis de passageiros no ano passado, segundo a Petroleum Trends International.

"A válvula de segurança está efetivamente fechada"

A situação do óleo de motor é mais um lembrete da natureza frágil das cadeias de abastecimento globais.

O problema é que quase metade (44%) do óleo-base mais importante usado para fabricar óleo de motor, conhecido como Grupo III, vem de apenas três produtores do Golfo Pérsico, segundo a ILMA.

Navios permanecem ancorados a 16 de maio de 2026, no Estreito de Ormuz perto da Ilha de Larak, Irão. As negociações entre os EUA e o Irão sobre a abertura desta via marítima crítica estagnaram em grande parte, uma vez que os países rejeitaram as propostas um do outro para terminar a guerra que começou quando os EUA e Israel atacaram o Irão a 28 de fevereiro. (Majid Saeedi/Getty Images)

Esses fornecimentos do Médio Oriente foram interrompidos pelo encerramento do Estreito de Ormuz após o início da guerra no final de fevereiro.

Não só isso, como a Pearl GTL, a maior fábrica de gás-para-líquidos (GTL) do mundo localizada no Catar, foi atacada e seriamente danificada no Irão. Isso significa que um dos principais fornecedores de óleos-base do Grupo III foi retirado de operação indefinidamente.

"Espera-se que os EUA fiquem sem Grupo III de origem do Golfo do Médio Oriente até junho", afirmou a ILMA num boletim publicado na semana passada.

Normalmente, os Estados Unidos recorreriam à Coreia do Sul para preencher a lacuna, mas os refinadores asiáticos dependem do Estreito de Ormuz para grande parte do seu crude. E os refinadores asiáticos que têm acesso ao crude estão focados em produzir o máximo de combustível para aviação e gasóleo possível para aproveitar margens de lucro historicamente elevadas.

O óleo de motor também pode ser feito com óleos-base do Grupo II, mas estes também estão a ser desviados para o gasóleo para satisfazer a procura e margens historicamente elevadas.

"A válvula de segurança do Grupo II está efetivamente fechada", acrescentou a ILMA no seu boletim.

Conversações com a administração Trump

Alfano, CEO da ILMA, afirma que o seu grupo está a ouvir relatos anedóticos de que certas partes dos Estados Unidos já estão a enfrentar escassez.

"Vai ficar realmente intenso este verão", considera.

Alfano explica que a indústria tem estado em comunicação com o departamento de Energia, incluindo conversações recentes com adjuntos do secretário da Energia Chris Wright.

"Estão a analisar tudo. Fiquei impressionada com isso", afirma Alfano. "Infelizmente, não há muito que possam fazer. Não há uma solução fácil."

Observa que, embora haja duas novas instalações de produção de lubrificantes previstas para entrar em funcionamento nos Estados Unidos, não se espera que comecem a operar antes do próximo ano.

"O presidente e toda a sua equipa de energia anteciparam perturbações de curto prazo nos mercados globais de energia decorrentes da Operation Epic Fury e tinham um plano preparado para mitigar essas perturbações", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, num comunicado, apontando medidas incluindo a suspensão do Jones Act.

Rogers referiu que a administração está a trabalhar de perto com o setor privado e a indústria para lidar com preocupações, "explorar potenciais ações e informar as decisões políticas do presidente". Acrescentou que os mercados de energia irão estabilizar e os preços irão "despencar" à medida que Trump trabalha para acabar com o conflito.

O departamento de Energia está "pronto para tomar medidas adicionais, se necessário, para ajudar a evitar interrupções no abastecimento", afirma Ben Dietderich, porta-voz do Departamento de Energia.

A Valvoline - que opera 2.400 centros de mudança de óleo - disse num comunicado que não aumentou significativamente os preços e que tem "abastecimento adequado para servir os clientes hoje e no futuro previsível".

A Valvoline disse estar a trabalhar de perto com o seu fornecedor para "gerir proativamente qualquer impacto potencial do atual ambiente de mercado".

Representantes de grandes retalhistas de peças automóveis, incluindo AutoZone, Advance Auto Parts e Jiffy Lube, não responderam a pedidos de comentário.

Mason Hamilton, economista-chefe do American Petroleum Institute, disse que o grupo comercial está a "monitorizar de perto como o conflito no Médio Oriente pode afetar o mercado de óleo de motor".

Hamilton observa que o API, que ajuda a definir normas para especificações de óleo de motor, já ativou licenciamento provisório de emergência para dar às empresas flexibilidade para mudar para fontes alternativas de óleos-base não afetadas pela guerra.

Michael Chung, diretor sénior de inteligência de mercado da Auto Care Association, um grupo comercial que representa fornecedores automóveis, distribuidores e empresas de manutenção e reparação, disse à CNN que os condutores devem esperar sentir mais um impacto na carteira, mesmo que adiem manutenção que não seja crítica.

"Continuamos otimistas em relação ao aftermarket, mas reconhecemos que vão existir desafios na cadeia de abastecimento com a disponibilidade e preços do óleo de motor no curto prazo", explica Chung. "Esperamos que isso se traduza em preços mais altos para o consumidor."

"Desistir não é opção"

Glenn, editor do JobbersWorld, refere que, embora esteja preocupado com escassez de óleo de motor, serão provavelmente encontradas soluções alternativas porque a alternativa é insustentável.

"Os Estados Unidos não vão deixar de conduzir carros. Os camiões não vão deixar de entregar bens. Não vamos parar por completo", afirma Glenn.

Uma opção para a indústria gerir proativamente a procura, segundo Glenn, é que os fabricantes de automóveis autorizem temporariamente o uso de óleo de maior viscosidade, que requer muito menos óleo-base do Grupo III.

Outras soluções temporárias incluem alterar as recomendações dos fabricantes sobre a frequência das mudanças de óleo e os produtores dependerem mais do óleo-base do Grupo II para fabricar óleo de motor.

Claro que estas soluções de recurso têm custos, incluindo o potencial dano ou comprometimento da viabilidade de longo prazo dos motores.

"Vai ser feio ver como isto será feito", considera Glenn. "Mas acho que vão encontrar uma solução. Desistir não é opção. Vamos encontrar forma de manter a América em movimento."

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Dinheiro

Mais Dinheiro