Questionado sobre o ataque norte-americano a uma escola primária em Minab, no início da guerra com o Irão, que terá provocado a morte de 152 pessoas, a maioria crianças e professores, Trump respondeu que "ninguém fez isso de propósito"
Donald Trump anunciou esta quarta-feira que o acordo alcançado entre os Estados Unidos e o Irão deverá ser assinado "em breve", afirmando que o entendimento "alcança tudo o que pretendíamos e muito mais" e garante que Teerão nunca obterá uma arma nuclear.
Em declarações aos jornalistas à margem da cimeira do G7, em França, o presidente norte-americano afirmou que o memorando de entendimento deverá ser assinado "amanhã, talvez no dia seguinte" e revelou que pretende distribuir cópias do documento, cuja assinatura está prevista para sexta-feira, na Suíça.
Apesar de considerar que o acordo é "muito positivo", Trump advertiu que os Estados Unidos poderão voltar a atacar o Irão caso as negociações não sejam concluídas no prazo de 60 dias.
"Se não for concluído em 60 dias, não há problema - voltamos aos bombardeamentos", afirmou. "Não quero fazer isso, porque o acordo é muito positivo. Mas poderemos ter de o fazer, porque nunca vamos permitir que tenham uma arma nuclear."
Segundo Trump, o Irão já concordou em não desenvolver armas nucleares, algo que, garantiu, ficará explícito no acordo. O presidente norte-americano voltou também a criticar o acordo nuclear de 2015, negociado durante a presidência de Barack Obama, classificando-o como "terrível" e como "um caminho para a obtenção de uma arma nuclear".
"Vamos chamar-lhe o acordo de Trump", afirmou, sustentando que o novo entendimento representa "uma barreira intransponível contra uma arma nuclear".
Trump defendeu ainda que o acordo põe fim ao conflito, reabre o Estreito de Ormuz e evita uma escalada militar que poderia ter-se prolongado durante semanas ou até anos.
"Podíamos ter continuado os bombardeamentos por mais três semanas, duas semanas, quatro semanas ou até dois anos", declarou.
Trump diz ter evitado uma "catástrofe económica"
O presidente norte-americano considerou que o entendimento alcançado permitiu evitar consequências económicas graves.
"Não queria ver uma catástrofe económica. Se isto continuasse, isso poderia ter acontecido", afirmou.
Trump elogiou também a nova liderança iraniana, descrevendo-a como "muito inteligente" e "muito menos radicalizada".
"Acho que vão comportar-se de forma muito diferente. Veem um estilo de vida diferente ao qual nunca tinham sido expostos", acrescentou.
Questionado sobre a assinatura do acordo, Trump admitiu enviar o vice-presidente, JD Vance, para representar os Estados Unidos.
"Posso fazê-lo, mas trata-se de um memorando de entendimento. É muito importante, mas pode não ser o tipo de documento que eu deva assinar", afirmou.
Perante a hipótese de ser Vance a deslocar-se à Suíça, respondeu em tom de brincadeira: "Gosto dessa ideia. Claro. Assim, se correr bem, fico com o mérito. Se correr mal, culpo o JD."
"Tem cuidado, JD! Ele vai dar meia-volta no avião e sair daqui rapidamente", acrescentou.
Críticas a Israel e apelos à contenção no Líbano
Trump elogiou Benjamin Netanyahu, que descreveu como "um homem muito competente" e um "primeiro-ministro fantástico", mas admitiu ter divergências com o líder israelita quanto à estratégia seguida no Líbano.
"Ele entusiasma-se um pouco às vezes", afirmou, acrescentando ter aconselhado Netanyahu a adotar uma abordagem mais moderada. "Eu digo-lhe: ‘Pode ter uma abordagem mais suave. Talvez não seja necessário destruir um edifício sempre que alguém do Hezbollah entra nele’".
O presidente norte-americano afirmou que Israel é um "bom parceiro", mas considerou que "poderia fazer mais" em relação ao Hezbollah.
"Não estou a dizer que não se devam proteger. Estou a dizer que, quando dois drones são abatidos no deserto e caem sem causar danos, não é necessário destruir edifícios em Beirute", declarou. "Podiam agir melhor. E, francamente, podiam fazer um trabalho melhor."
Trump afirmou ainda sentir-se "muito triste pelo Líbano" e elogiou o passado do país, descrevendo-o como uma sociedade que durante décadas foi um centro de excelência em várias áreas.
"Era uma cultura incrível, talvez a mais elevada do Médio Oriente durante anos e anos, séculos. E, nos últimos 50 ou 60 anos, foi devastada. Têm vivido num inferno", afirmou.
"Erros acontecem. A guerra é brutal"
Questionado sobre o ataque norte-americano a uma escola primária em Minab, no início da guerra com o Irão, que terá provocado a morte de 152 pessoas, a maioria crianças e professores, Trump disse que o caso continua a ser investigado. Quando confrontado com a possibilidade de alguém da administração ser responsabilizado, respondeu que "ninguém fez isso de propósito".
"Erros acontecem. A guerra é brutal", declarou.
Trump contrapôs ainda com acusações a Teerão. "E quanto aos milhares de soldados que eles fizeram explodir quando abriram a porta do carro? E quanto às milhares de pessoas mortas pelo Irão?".
