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Exclusivo: comandantes militares dos EUA ignoraram avisos sobre informações desatualizadas antes de ataque que atingiu escola no Irão

CNN , Zachary Cohen
7 jul, 21:33
EUA
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Um aviso de informação desatualizada terá sido ignorado antes de um dos ataques mais mortíferos contra civis na recente história militar dos EUA. A CNN revela que a decisão abriu caminho ao bombardeamento acidental de uma escola no Irão

Altos comandantes militares norte-americanos ignoraram avisos presentes em bases de dados críticas de que as informações dos serviços secretos sobre potenciais alvos no Irão estavam gravemente desatualizadas e autorizaram alguns ataques - incluindo um que atingiu uma escola, matando quase 200 crianças e adultos, segundo três fontes familiarizadas com o processo de decisão.

Mensagens que indicavam que a informação se baseava em dados de informação com vários anos e que precisava de ser novamente validada estavam incorporadas num sistema utilizado para desenvolver listas de alvos e exigiam que um oficial superior aprovasse a inclusão de um local na lista de ataques, de acordo com as fontes.

A decisão dos comandantes superiores de ignorar os avisos foi tomada por "questões de rapidez", segundo duas das fontes, numa corrida para disponibilizar alvos no início da guerra. Mas essa decisão também contribuiu diretamente para o ataque acidental à escola, acrescentaram.

O ataque matou pelo menos 168 crianças e 14 professores, segundo os meios de comunicação estatais iranianos. Estes números fariam deste um dos incidentes com mais vítimas civis da história militar recente dos Estados Unidos. As Forças Armadas norte-americanas abriram uma investigação poucos dias após o ataque.

As autoridades militares dos EUA "souberam poucos dias depois (do ataque à escola) como aconteceu o erro", afirmou uma das fontes. "Era obviamente informação antiga."

Meses depois, o Pentágono ainda não divulgou os resultados da investigação ao incidente.

Um responsável da Casa Branca disse à CNN que "esta investigação continua em curso".

"Como já dissemos, os Estados Unidos não têm civis como alvo", acrescentou.

Os detalhes sobre a forma como a informação desatualizada acabou por ser utilizada, que nunca tinham sido divulgados anteriormente, lançam nova luz sobre a forma como a preparação de alvos antes da guerra contribuiu para o ataque acidental à escola.

O Pentágono remeteu as perguntas sobre o processo de seleção de alvos para o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM). O CENTCOM recusou comentar, alegando que a investigação continua em curso.

Embora os ataques norte-americanos contra alvos no Irão tenham diminuído significativamente enquanto responsáveis norte-americanos e iranianos discutem um possível acordo, o presidente Donald Trump tem repetidamente ameaçado regressar a uma campanha de bombardeamentos em larga escala.

O ataque de 28 de fevereiro à escola Shajareh Tayyiba, em Minab, ocorreu quando as forças norte-americanas atacavam uma instalação vizinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), concluiu uma investigação militar preliminar, segundo o que a CNN apurou.

Imagens de satélite de 2013 mostravam que a escola e a base do IRGC faziam anteriormente parte do mesmo complexo. No entanto, imagens de 2016 mostram que foi construída uma vedação para separar a escola do resto da base e criada uma entrada independente para o estabelecimento de ensino. Em dezembro de 2025, imagens mostravam dezenas de pessoas aparentemente a brincar no recreio da escola.

O ataque ocorreu no primeiro dia das operações militares dos EUA contra o Irão, numa altura em que responsáveis militares e analistas de informação tentavam atualizar informações sobre milhares de alvos depois de Trump ter decidido lançar operações de combate. Os analistas não conseguiram atualizar todos os registos relevantes nas bases de dados do Pentágono antes do início dos ataques, segundo as fontes.

Como resultado, a informação de informação de muitos dos alvos incluídos na lista de ataques tinha mais de 10 anos, incluindo a relativa à instalação do IRGC situada ao lado da escola primária.

Perante o calendário acelerado, responsáveis militares e analistas de informação apressaram-se a atualizar primeiro os registos dos chamados alvos de "primeiro nível", ou seja, aqueles que tinham maior probabilidade de serem atacados logo no início, explicaram duas fontes à CNN.

Os alvos de "primeiro nível" consistiam sobretudo em alvos móveis e instalações consideradas como representando a maior ameaça para as forças norte-americanas, explicaram as fontes, e acrescentaram que os responsáveis militares conseguiram atualizar grande parte desses registos antes de serem lançadas as primeiras bombas.

"Foi a forma como (os responsáveis militares) estavam a revalidar rapidamente os alvos, dando prioridade ao que considerávamos mais perigoso para as forças dos EUA e para a missão - como locais de lançamento de mísseis e aeronaves", afirmou a primeira fonte.

As instalações fixas - como o alvo que acabou por ser uma escola - eram geralmente consideradas de menor prioridade porque não mudam de localização, explicou a segunda fonte, acrescentando que os analistas não conseguiram atualizar muitos desses registos antes do início da guerra.

As bases de dados de seleção de alvos - conhecidas como Modernized Integrated Database (MIDB) e Machine-Assisted Analytic Rapid-Repository System (MARS) - indicavam claramente que a informação relativa aos alvos iranianos precisava de ser atualizada antes de ser utilizada.

O MIDB é o sistema mais antigo de seleção de alvos do Pentágono, criado na década de 1980, e depende sobretudo da introdução manual de dados por analistas.

O MARS é a nova plataforma digital do departamento, alimentada por inteligência artificial, que entrou em funcionamento este ano e se destina a substituir o MIDB.

Ambos os sistemas continuam a ser utilizados, mas a transição completa para o MARS está vários anos atrasada, e os dados oficiais de seleção de alvos continuam a depender do MIDB, segundo uma fonte familiarizada com orientações recentemente revistas do Pentágono.

Um analista já tinha assinalado alterações naquele local através de outra ferramenta digital de informação, mas essa ferramenta não estava ligada à base de dados oficial utilizada para desenvolver listas de alvos, disse a primeira fonte à CNN. E essa informação nunca foi transmitida aos comandantes militares.

O aviso do analista e a forma como as falhas existentes na base de dados secretos do Pentágono poderão ter contribuído para o ataque acidental à escola estão entre os aspetos analisados no âmbito da investigação em curso, acrescentou a mesma fonte.

Na sequência imediata do ataque, Trump sugeriu que o Irão poderia ser o responsável pelo sucedido e afirmou posteriormente que talvez nunca fosse possível determinar quem era responsável. O secretário da Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o ataque será investigado "de forma exaustiva", acrescentando que os EUA "tentaram de todas as formas possíveis evitar vítimas civis".

Várias fontes disseram à CNN que os líderes do Pentágono pressionaram os responsáveis militares para fornecerem rapidamente alvos nos dias que antecederam a guerra e que essa pressão se manteve durante todo o conflito de várias semanas, colocando uma forte pressão sobre o CENTCOM e os analistas de informação encarregues de identificar locais viáveis para atacar.

"O Pentágono está a pressionar toda a gente para avançar mais depressa", referiu uma das fontes sobre a decisão de ignorar os avisos relativos à informação desatualizada. "Há muitas pessoas vindas de fundos de investimento e figuras mediáticas envolvidas. Mas a liderança do CENTCOM também não se opôs."

Outro fator que aumentou o risco de erro, segundo duas fontes familiarizadas com o processo de decisão, foi o facto de as equipas de Mitigação e Resposta a Danos sobre Civis (Civilian Harm Mitigation and Response - CHMR) no CENTCOM e noutros comandos militares já estarem com falta de pessoal devido à decisão de Hegseth de reduzir o programa no início do seu mandato.

O Gabinete do Secretário da Defesa não respondeu a um pedido de comentário sobre as alterações promovidas por Hegseth nos programas de mitigação de vítimas civis.

Hegseth tem defendido repetidamente a necessidade de permitir que os comandantes no terreno atuem mais rapidamente, eliminando restrições, resumindo essa filosofia na expressão: "máxima letalidade, não uma legalidade tímida."

Antes da guerra com o Irão, Hegseth fez cortes profundos nos programas de Mitigação e Resposta a Danos sobre Civis e reduziu em mais de 90% o pessoal afeto ao CHMR nos comandos militares. Isso incluiu a retirada de especialistas em vítimas civis das equipas de desenvolvimento de alvos e a redução da equipa de 10 elementos do Comando Central para apenas um funcionário a tempo inteiro, explicaram as fontes à CNN.

"Sei que a equipa do CHMR no CENTCOM continuou a tentar fazer o melhor trabalho possível, simplesmente não tinha os recursos humanos nem os meios de que precisava por causa de Hegseth", afirmou uma das fontes.

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