A Ucrânia atacou mesmo a casa de Putin? Acusação da Rússia pode mudar tudo nas negociações

30 dez 2025, 09:35
Vladimir Putin (Mikhail Metzel/AP)

Donald Trump já veio dizer que ficou zangado com um ataque que a Ucrânia desmente totalmente. Só que Moscovo nem quis esperar e anunciou que algumas coisas vão mesmo mudar

Passadas apenas algumas horas depois de o presidente dos Estados Unidos anunciar que podíamos estar a semanas de resolver a guerra na Ucrânia, a Rússia acusou Kiev de um audaz ataque a uma das residências de Vladimir Putin.

Um ataque prontamente desmentido pela Ucrânia, mas que serviu para o Kremlin prometer uma mudança na sua posição negocial, ainda que Moscovo não tenha concretizado o que isso significa ao certo.

E pouco importa que até Donald Trump já tenha vindo admitir que tudo pode não passar de uma operação de falsa bandeira por parte de Moscovo, que poderia utilizar um ataque do género para justificar um endurecer da sua posição nas negociações.

Por um lado, a Rússia garante que a casa de Vladimir Putin em Novgorod, a norte de Moscovo e junto à fronteira com a União Europeia no Báltico, foi alvo de um “ataque terrorista com recurso a 91 drones”. São palavras do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, o primeiro a denunciar a suposta operação.

Por outro, o presidente da Ucrânia e as diferentes autoridades do país garantiram de imediato que tal não tinha acontecido, com Volodymyr Zelensky a defender que o real objetivo da Rússia é minar a confiança dos Estados Unidos, nomeadamente depois do encontro em Mar-a-Lago.

“Eles estão a ir mais longe. Agora, com os comunicados de que as residências deles estão a ser atacadas, estão simplesmente a preparar-se para ataques à capital e, provavelmente, a edifícios governamentais”, afirmou o presidente ucraniano.

Assim, Volodymyr Zelensky sustenta a teoria de que se trata tudo de uma operação de falsa bandeira para justificar ataques contra o poder de Kiev. “Por isso mesmo, todos temos de estar vigilantes agora, e digo mesmo toda a gente”, reiterou o presidente ucraniano.

Em paralelo a eventuais ataques que deem razão ao presidente da Ucrânia, a Rússia pode também estar à procura de mais tempo para conquistar terreno, até porque vai conseguindo avançar, mesmo que devagar, na linha da frente.

A mostrar isso mesmo está um dos últimos pedidos de Vladimir Putin às suas Forças Armadas. Numa reunião que foi parcialmente transmitida, o presidente da Rússia disse ao homem que comanda as tropas russas que quer aumentar a pressão para ganhar controlo total na região de Zaporizhzhia.

Ora, numa altura em que parece inevitável que a Ucrânia ceda todo o Donbass, incluindo as zonas que ainda controla, o presidente da Rússia pressiona para conquistar território para lá disso, o que lhe poderá dar uma posição de ainda maior força nas negociações.

E este alegado ataque à residência de Novgorod pode mesmo servir para uma posição de força nessas negociações, até porque Vladimir Putin disse a Donald Trump, com quem voltou a falar ao telefone esta segunda-feira, que Moscovo podia rever a sua posição na sequência desta situação.

“Uma coisa é estar ao ataque. Outra coisa é atacar a casa dele. Não é o momento certo para o fazer. E percebi-o ao falar com o presidente Putin. Fiquei muito zangado com isto”, afirmou Donald Trump, parecendo tomar o lado russo nas alegações do ataque, ainda que admitindo que tudo possa ter sido encenado.

Para Volodymyr Zelensky, o objetivo da Rússia é claro: “Mais uma ronda de mentiras. É claro que tivemos uma reunião com Trump e é claro que, para os russos, se não há escândalo entre nós e a América, estamos a fazer progressos”.

A Ucrânia prepara-se agora para possíveis ataques reforçados no seu território, nomeadamente contra alvos de relevo na capital Kiev.

Europa

Mais Europa