Esta terça-feira ficou marcada pelas notícias de que a Ucrânia terá aceitado o plano de paz dos EUA para a guerra contra a Rússia, após algumas revisões saídas do encontro em Genebra entre Kiev e Washington DC.
Segundo fonte do governo americano, faltam apenas ajustar “pequenos detalhes”, mas o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já veio dizer que ainda há “muito trabalho” pela frente.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, fala em “enormes progressos”, mas diz que são necessárias mais reuniões entre EUA, Ucrânia e Rússia.
"Ao longo da última semana, os Estados Unidos fizeram enormes progressos no sentido de um acordo de paz, levando a Ucrânia e a Rússia à mesa das negociações. Há alguns detalhes delicados mas não intransponíveis, que precisam de ser resolvidos e exigirão novas negociações entre a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos", escreveu Karoline Leavitt no X.
Over the past week, the United States has made tremendous progress towards a peace deal by bringing both Ukraine and Russia to the table.
— Karoline Leavitt (@PressSec) November 25, 2025
There are a few delicate, but not insurmountable, details that must be sorted out and will require further talks between Ukraine, Russia,…
De acordo com o Financial Times, a Ucrânia concordou em limitar as suas forças armadas a 800 mil homens em tempo de paz.
Um exército ucraniano deste tamanho continuaria a ser a segunda maior força europeia, depois da da Rússia, e aproximar-se-ia da sua atual força, com cerca de 900 mil militares.
No plano inicial apresentado por Washington na semana passada, as forças ucranianas ficariam limitadas a 600 mil soldados
O documento original de 28 pontos foi condensado para 19 pontos após consultas entre os EUA e a Ucrânia em Genebra, embora o seu conteúdo completo não tenha sido divulgado.
As notícias do ‘sim’ ucraniano ao plano da administração Trump coincidem com a presença do secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, em Abu Dhabi, onde já realizou reuniões com autoridades russas na segunda-feira. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou esta terça-feira que não tinha “nada a dizer” sobre essas conversações.
Peskov acrescentou que Moscovo ainda não recebeu quaisquer planos atualizados sobre a Ucrânia.
“De momento, a única proposta substantiva é o projeto americano, o projeto do presidente Donald Trump. Acreditamos que isso pode constituir uma excelente base para negociações. Continuamos a manter essa posição.”
Quanto ao papel da Europa na resolução do conflito na Ucrânia, Peskov afirmou que é impossível discutir o sistema de segurança sem a participação dos europeus, pelo que, numa fase posterior, essa participação será necessária.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, disse que um plano de paz para a Ucrânia, alterado, deve refletir o “espírito e a letra” de um entendimento alcançado entre Vladimir Putin e Donald Trump na cimeira que tiveram no Alasca.
Durante uma conferência de imprensa em Moscovo, Lavrov afirmou que a Rússia tinha acolhido favoravelmente a versão inicial do plano de paz norte-americano para a Ucrânia e que estava à espera de uma versão intercalar alterada, depois de Washington DC se ter coordenado com a Ucrânia e com a Europa.
A bola está agora do lado da Rússia, mas, enquanto altos representantes dos dois países beligerantes discutem a paz, a guerra continua no terreno.
A Rússia continuou o seu ataque à Ucrânia ao lançar 22 mísseis e 460 drones durante a madrugada, matando sete pessoas e ferindo 13, segundo Zelensky.
Os ataques causaram "danos extensos a edifícios residenciais e infraestruturas civis" em Kiev e tiveram como alvo "o setor energético e tudo o que mantém a vida normal", afirmou ainda o líder ucraniano.
Duas pessoas morreram, incluindo uma mulher de 86 anos, após um incêndio num edifício residencial no distrito de Dniprovskyi da capital ucraniana, de acordo com a Polícia Nacional da Ucrânia.
Tymur Tkachenko, chefe da administração militar da cidade de Kiev, declarou que quatro pessoas também morreram no distrito de Svyatoshynskyi.
Na Rússia, três pessoas morreram e oito ficaram feridas num grande ataque com drones ucranianos, de acordo com o Ministério da Defesa da Rússia. As forças russas interceptaram e destruíram 249 drones ucranianos durante a noite, incluindo 116 que foram lançados sobre o Mar Negro, de acordo com o ministério.
O comandante da unidade militar de drones da Ucrânia, Robert Brovdi, saudou a terça-feira como a noite "mais produtiva" de Kiev em novembro, dizendo que o ataque com drones causou "danos profundos" à Rússia.