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Pensar em 3.ª Guerra Mundial é mesmo "para rir"? "O assunto é sério" e "sinistro", estamos na "situação mais perigosa que pode existir"

19 nov 2024, 18:00

Filho de Donald Trump diz que querem começar a 3.ª Guerra Mundial antes de o pai tomar posse em janeiro. Sobre isso, o major-general Isidro de Morais Pereira reagiu assim na CNN Portugal: "3.ª Guerra Mundial? Dá-me vontade de rir. Deve ser para crianças pequenas acreditarem neste tipo de narrativa"

“Desde a 2.ª Guerra Mundial que não estávamos numa situação desta gravidade do ponto de vista da paz e da segurança internacionais.” Para o comentador da CNN Portugal José Azeredo Lopes, a guerra na Ucrânia está a entrar agora na “fase mais perigosa”, em que se vai decidir “se vamos até ao fim com tudo isto ou se vamos começar a aproximar-nos do fim do conflito”.

“O assunto é sério”, advertem os especialistas ouvidos pela CNN Portugal considerando ainda assim que não é caso para se falar numa 3.ª Guerra Mundial. “Para ser uma guerra mundial, o conflito teria de extravasar as fronteiras entre a Rússia e a Ucrânia”, argumenta Francisco Pereira Coutinho, especialista em direito europeu e internacional, apontando, a título de exemplo, a eclosão de um conflito em Taiwan relacionado com este. “Coisa que, de facto, não temos, nem há risco de virmos a ter.”

Os primeiros a falar recentemente na eclosão da 3.ª  Guerra Mundial foram os republicanos, ainda durante a campanha eleitoral para as presidenciais dos EUA. Donald Trump acusou os democratas de estarem a fazer de tudo para provocar uma guerra mundial - argumento que o filho do republicano voltou a usar há dias, assim que se soube que Joe Biden autorizou a utilização das armas de longo alcance dos EUA para ataques ucranianos em solo russo. 

"O Complexo Industrial Militar parece querer garantir o início da Terceira Guerra Mundial antes que o meu pai tenha a possibilidade de criar a paz e salvar vidas", escreveu Donald Trump Jr. na sua conta oficial na rede social X.

"3.ª Guerra Mundial? Dá-me vontade de rir. Deve ser para crianças pequenas acreditarem neste tipo de narrativa", reagiu o major-general Isidro de Morais Pereira, num comentário na CNN Portugal.

A verdade é que estamos agora perante “um escalar do conflito” que, segundo Francisco Pereira Coutinho, “foi provocado pela Rússia, ao trazer norte-coreanos para combater na Europa”, o que espoletou a “internacionalização do conflito”. Depois da decisão de Joe Biden, Vladimir Putin aprovou esta terça-feira o uso alargado de armas nucleares contra quem atacar solo russo ou bielorrusso com mísseis convencionais.

Sinistro e perigoso, "não me apetece rir"

Para José Azeredo Lopes, só o facto de se equacionar “a hipótese de uma guerra nuclear já é, em si, uma discussão sinistra e muito perigosa”. “Muito mais perigosa do que qualquer outro momento desde a 2.ª Guerra Mundial.”

É que, independentemente dos tratados de dissuasão nuclear, a verdade é que “a utilização de armas nucleares é uma possibilidade para as potências nucleares”, diz o comentador da CNN Portugal, apontando que, tal como a Rússia, “também a NATO se reserva o direito de recorrer a armas nucleares” caso esteja em causa “a existência de um ou mais Estados” que integram a Aliança. E é com este “aparente paradoxo” da dissuasão nuclear que nos encontramos agora na “situação mais perigosa que pode existir”, diz Azeredo Lopes.

“Sinceramente, não querendo levar nunca para a brincadeira um assunto destes, porque acho que é demasiado sério para isso, considero que, na atual situação, ainda não estamos num patamar em que a Rússia possa sequer admitir a hipótese de usar armas nucleares”, afirma ainda assim, José Azeredo Lopes. “Mas ao mesmo tempo sei que nunca, como desde a 2.ª Guerra Mundial, estivemos numa situação desta gravidade do ponto de vista da paz e segurança internacionais”, contrapõe.

Isto porque “a Rússia e os EUA são, de longe, as principais potências nucleares mundiais”, sublinha José Azeredo Lopes. “Cada uma delas tem muito mais de mil ogivas nucleares. Cada ogiva nuclear daquelas é muitíssimo mais poderosa do que as bombas que atacaram Hiroshima e Nagasaki. E, portanto, sinceramente não me apetece rir.”

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