"Os russos estão a queimar os rostos dos norte-coreanos mortos em combate": como a Rússia está a tentar encobrir os soldados da Coreia do Norte em Kursk

CNN , Victoria Butenko e Nectar Gan
23 dez 2024, 08:02
Soldados norte-coreanos em Kursk (CNN)

Soldados norte-coreanos que combatem ao lado das forças russas em Kursk receberam documentos militares falsos com nomes e locais de nascimento russos, denuncia o exército ucraniano, que acusa a Rússia de estar a tentar esconder a presença de combatentes estrangeiros no campo de batalha.

As forças de operações especiais da Ucrânia dizem ter matado três soldados norte-coreanos na região de Kursk, no oeste da Rússia, e apreenderam os seus documentos. Em comunicado, o exército ucraniano refere que os documentos “não têm todos os carimbos e fotos, os nomes patronímicos são dados à maneira russa e o local de nascimento é assinado como República de Tuva”, uma região russa no sul da Sibéria, na fronteira com a Mongólia.

Mas as assinaturas nos documentos estão em coreano, o que “indica a verdadeira origem desses soldados”, acrescenta-se no comunicado.

“Este caso confirma mais uma vez que a Rússia está a recorrer a todos os meios para esconder as suas perdas no campo de batalha e ocultar a presença estrangeira”, refere-se no comunicado.

Segundo estimativas dos serviços secretos dos EUA, Ucrânia e Coreia do Sul, há entre 11 mil e 12 mil soldados norte-coreanos na Rússia, alguns dos quais já se envolveram em operações de combate ao lado de dezenas de milhares de forças russas para ajudar a recuperar partes de Kursk tomadas numa ofensiva ucraniana em agosto.

As tropas norte-coreanas parecem ter sofrido pesadas perdas na região, de acordo com autoridades norte-americanas e ucranianas, enquanto autoridades em Kiev acusam a Rússia de tentar encobrir o seu envolvimento.

Segundo um alto funcionário dos EUA, a Coreia do Norte registou “várias centenas” de vítimas — tanto mortas quanto feridos — em Kursk desde outubro. De acordo com um legislador sul-coreano, cerca de 100 soldados norte-coreanos foram mortos e quase mil ficaram feridos desde que foram enviados para Kursk, de acordo com os serviços secretos do país.

No passado dia 17 de dezembro, as forças especiais da Ucrânia anunciaram que, em apenas três dias, 50 soldados norte-coreanos foram mortos e 47 ficaram feridos enquanto lutavam ao lado de tropas russas em Kursk.

Uma unidade ucraniana denunciou que os norte-coreanos – envergando uniformes diferentes dos russos – lançaram ataques de infantaria usando as “mesmas táticas que se faziam há 70 anos”, numa aparente referência à Guerra da Coreia.

Nem Moscovo nem Pyongyang reconheceram oficialmente a presença de tropas norte-coreanas na Rússia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a Rússia está a tentar esconder as perdas de tropas norte-coreanas no campo de batalha, recorrendo a táticas extremas para disfarçar a identidade dos soldados norte-coreanos mortos em combate.

“Os russos estão a tentar literalmente queimar os rostos dos soldados norte-coreanos mortos em combate”, acusou Zelensky, numa publicação na rede social X a 17 de dezembro, a acompanhar um vídeo que supostamente mostrava soldados russos a atear fogo nos corpos de soldados norte-coreanos.

Paralelamente, uma unidade de drones da linha de frente ucraniana publicou um vídeo em 15 de dezembro que alegadamente mostrava os corpos de mais de 20 soldados norte-coreanos alinhados num campo gelado. A qualidade do vídeo não era boa o suficiente para verificar a identidade dos combatentes.

O tenente Andriі Kovalenko, do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, afirmou que a unidade ucraniana capturou as imagens antes que a Rússia conseguisse retirar os corpos.

“Eles tentam esconder o máximo possível o envolvimento de norte-coreanos em operações específicas. Portanto, eles geralmente colocam esses corpos em uma fileira, depois chegam veículos rastreados e levam os corpos”, indicou Kovalenko à agência de notícias estatal ucraniana Ukrinform.

Relacionados

Europa

Mais Europa