Um dia depois de falharem acordo para um novo pacote de sanções contra a Rússia, os líderes da União Europeia (UE) dizem estar "decididos em aumentar a pressão" sobre Moscovo
Os líderes da União Europeia garantiram esta terça-feira, a propósito dos quatro anos de invasão russa da Ucrânia, que a estratégia de "desgaste" de Vladimir Putin está a "debilitar progressivamente" a Rússia, e reafirmaram o seu compromisso de manter o apoio a Kiev e a pressão sobre o Kremlin.
"A guerra de desgaste de Putin está a debilitar progressivamente a Rússia, e decidimos exercer mais pressão sobre a Rússia para que possamos pôr fim à sua agressão e permitir negociações significativas para a paz", garantiram num comunicado conjunto os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; do Conselho Europeu, António Costa; e do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.
Os líderes comunitários, que se deslocaram na segunda-feira à Ucrânia, acrescentaram que estão "decididos em aumentar a pressão sobre o setor energético e financeiro da Rússia e em adotar medidas adicionais contra a frota na sombra".
“A Rússia não conseguiu atingir os seus objetivos militares na Ucrânia. Incapaz de avançar no campo de batalha, está a atacar deliberadamente infraestruturas civis ucranianas essenciais, incluindo infraestruturas energéticas, hospitais, escolas e edifícios residenciais, em pleno inverno rigoroso”, declararam os presidentes das instituições da UE.
Von der Leyen, Costa e Metsola assinalaram o facto de “os ucranianos continuarem a demonstrar uma força, determinação e resiliência formidáveis” e prestaram “homenagem ao corajoso povo da Ucrânia, que continua a resistir e a defender o seu país”.
Os líderes da UE recordaram o apoio que a UE tem prestado ao país invadido “desde o primeiro dia da agressão russa”, com quase 200 mil milhões de euros em ajuda, aos quais serão acrescentados mais 90 mil milhões de euros em 2026-2027, para que “a União Europeia continue a prestar um apoio político, financeiro, económico, humanitário, militar e diplomático abrangente à Ucrânia”.
"O nosso objetivo é uma paz abrangente, justa e duradoura para a Ucrânia, baseada nos princípios da Carta da ONU e do direito internacional. Apoiamos todos os esforços que visem alcançar essa paz: uma paz com dignidade e segurança a longo prazo", declararam.
Von der Leyen, Costa e Metsola acrescentaram que "o respeito pela soberania e integridade territorial é a pedra basilar" do futuro da Ucrânia.
"Nenhum país pode anexar o seu vizinho. As fronteiras não podem ser alteradas pela força. O agressor não pode ser recompensado. No atual contexto internacional e geopolítico desafiante, sublinhamos a importância de manter a solidariedade transatlântica e global com a Ucrânia", sublinharam, na declaração conjunta.
Olhando para um horizonte mais vasto, que acreditam que deverá começar "quando os combates cessarem", os líderes das instituições da UE afirmaram que a UE e os seus Estados-membros estão "prontos para contribuir com garantias de segurança fortes e credíveis para assegurar que a Rússia nunca mais possa atacar a Ucrânia" e que "seja responsabilizada pelos crimes cometidos e pelos danos causados".
"O futuro de uma Ucrânia segura e próspera reside na União Europeia. A Ucrânia fez progressos significativos nas reformas para a adesão à UE em circunstâncias extremamente difíceis. A Ucrânia pode contar com o nosso total apoio tanto para a sua adesão à UE como para a sua reconstrução pós-guerra", acrescentou a declaração, sem mencionar os Estados Unidos.