Comissão Europeia promete avançar com o 19.º pacote de sanções - vão ser "severas"
A presidente da Comissão Europeia está “indignada” com o ataque russo que atingiu o edifício da delegação da UE na capital ucraniana, Kiev, e que provocou pelo menos 17 vítimas mortais.
Em conferência de imprensa, Ursula von der Leyen assinala que o ataque - que descreve como “o ataque com drones e mísseis mais mortífero desde julho” - ocorreu “nas imediações” da representação da União Europeia em Kiev.
De acordo com a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou um total de 598 drones de ataque do tipo Shahed, nove mísseis balísticos Iskander-M/KN-23, dois mísseis Kh-47M2 Kinzhal e 20 mísseis de cruzeiro Kh-101 neste ataque.
"Dois mísseis atingiram a nossa delegação a uma distância de 50 metros em 20 segundos”, sublinha von der Leyen, acrescentando que este é mais um “lembrete sombrio do que está em jogo” com a Rússia.
“É por isso que estamos a manter pressão máxima sobre a Rússia”, diz von der Leyen, prometendo anunciar “em breve” o 19.º pacote de sanções “severas” contra a Rússia, ao mesmo tempo que, garante, estão a ser feitos “avanços” na utilização de ativos russos congelados para contribuir para a reconstrução da Ucrânia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, diz que os ataques russos não visam deliberadamente civis e têm como alvo apenas instalações militares ou relacionadas com militares. Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, o ataque desta madrugada teve como alvos instalações industriais e bases aéreas militares.
Questionado sobre se este ataque não contraria as intenções declaradas de Moscovo de avançar com conversações de paz, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu aos jornalistas que a Ucrânia tem vindo a fazer o mesmo, com ataques a infraestruturas russas e “muitas vezes” civis.
"A operação militar especial continua. É possível observar que os ataques às infraestruturas russas, muitas vezes às infraestruturas civis russas, por parte do regime de Kiev também continuam. As Forças Armadas russas também estão a cumprir as suas tarefas", afirmou Peskov.
Foi António Costa quem denunciou os estragos no edifício da delegação da União Europeia em Kiev. Numa publicação na rede social X, o presidente do Conselho Europeu divulgou uma imagem da destruição.
“Estou horrorizado com mais uma noite de ataques mortíferos com mísseis russos contra a Ucrânia”, escreveu, salientando que este foi um “ataque deliberado” por parte dos russos.
Num tom aparentemente mais rígido do que o pronunciado pela presidente da Comissão Europeia, António Costa deixou um aviso: “A UE não se deixará intimidar”.
Além da delegação da União Europeia, também os escritórios do British Council no centro de Kiev foram atingidos e ficaram “seriamente danificados”, segundo o gabinete de imprensa.
Entretanto, vários líderes europeus têm reagido ao ataque com alguma contenção. O presidente francês, Emmanuel Macron, condena “veementemente” estes ataques, que diz serem “deliberados” e “cruéis”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português condena “fortemente” o ataque e considera “intolerável” que a agressão russa vise agora instalações diplomáticas.
O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, defende que estes ataques não podem “ficar sem consequências”, recusando-se a dar mais detalhes sobre o que seria, no seu entender, uma resposta adequada.
O embaixador russo em Bruxelas foi convocado pela Comissão Europeia para discutir o sucedido. “A reunião vai realizar-se ainda hoje”, adiantou a porta-voz de Kaja Kallas, Anitta Hipper, responsável pela diplomacia europeia. “O facto é que nenhuma missão diplomática deverá ser alguma vez alvo de dois ataques. Portanto, esta é a nossa resposta a esta questão."
