Antigo ministro está envolvido no caso Midas, uma investigação sobre corrupção no setor energético da Ucrânia, que desencadeou uma grande crise política no ano passado
Um antigo ministro da Energia da Ucrânia foi detido este domingo, quando tentava sair do país, por suspeitas de ligação a um grande escândalo de corrupção.
Em comunicado, o Gabinete Anticorrupção da Ucrânia (NABU) afirmou que os seus investigadores "detiveram o ex-ministro da Energia no âmbito do caso Midas", referindo-se a uma ampla investigação sobre corrupção no setor energético da Ucrânia, que desencadeou uma grande crise política no ano passado.
"As ações de investigação iniciais estão em curso, conduzidas de acordo com as exigências da lei", acrescentou o NABU, sem mencionar o nome do antigo ministro.
De acordo com o Kyiv Independent, trata-se do antigo ministro Herman Halushchenko. Segundo o Pravda, Halushchenko foi detido quando estava de viagem num comboio.
O escândalo, que gira em torno de alegados subornos de empreiteiros, incluindo os que trabalham na proteção de infraestruturas energéticas críticas, levou tanto o ministro da Energia em funções como um ex-ministro a demitirem-se no ano passado a pedido do presidente, Volodymyr Zelensky. Ambos negaram as acusações.
O chefe de gabinete do presidente ucraniano, Andriy Yermak, também apresentou a demissão na sequência do escândalo.
Segundo os investigadores, cerca de 100 milhões de dólares foram desviados por empresas estatais, incluindo a Energoatom, que opera as centrais nucleares da Ucrânia, que pagaram a outras empresas por serviços de reforço da segurança em locais estratégicos.
Na altura, o organismo anticorrupção da Ucrânia anunciou ter realizado buscas em dezenas de propriedades no âmbito da investigação.
As alegações de corrupção não são novidade na Ucrânia. Desde 2023 que o NABU abriu investigações sobre uma série de escândalos.
Em janeiro de 2024, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) afirmou ter descoberto um esquema de corrupção em grande escala na compra de armas pelas forças armadas do país, num total de quase 40 milhões de dólares.
Andrew Carey, da CNN, contribuiu para esta reportagem.