"A tecnologia ocidental está a permitir que eles construam estes mísseis mais inteligentes". Míssil russo Kh-101 que destruiu hospital pediátrico é composto por peças dos aliados

CNN Portugal , BCE
10 jul, 11:35

Segundo uma análise do Financial Times, a Rússia está a conseguir contornar as sanções ocidentais, recorrendo ao mercado chinês

O míssil russo que atingiu um hospital pediátrico em Kiev é composto por componentes fabricados no Ocidente, de acordo com especialistas ucranianos, avança o Financial Times, que destaca assim como o Kremlin tem conseguido contornar as sanções.

Trata-se do míssil Kh-101 - um dos mísseis de cruzeiro mais avançados da Rússia e essencial para a campanha de ataques aéreas russos contra a Ucrânia. Segundo o Financial Times, a Rússia está a fabricar "quase oito vezes mais" mísseis Kh-101 do que antes do início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Estes mísseis dependem de componentes que são fabricadas em países ocidentais, sobretudo nos EUA, advertem os especialistas.

"A tecnologia ocidental está a permitir que eles construam estes mísseis mais inteligentes, que permitem que os seus ataques terroristas cruzem as nossas defesas aéreas em dificuldades”, alertou Olena Bilousova, especialista do Instituto KSE, em Kiev, citado pelo jornal norte-americano.

Embora as sanções ocidentais tenham impedido a Rússia de obter alguns componentes militares avançados, os especialistas argumentam que o setor de defesa do Kremlin recorreu a microprocessadores de tecnologia avançada não destinados ao uso militar. Esta tecnologia já foi verificada anteriormente numa análise de um míssil Kh-101 disparado em janeiro e no qual os especialistas identificaram 16 peças de componentes eletrónicos de fabrico ocidental - duas das peças foram identificadas como componentes de fabrico da STMicroelectronics, sediada na Suíça, sendo que as restantes foram identificadas como peças de fabrico de chips dos EUA, incluindo Texas Instruments, Analog Devices e Intel.

Nenhuma destas peças tem como objetivo o uso militar mas, segundo uma análise do Financial Times, as empresas russas conseguiram adquirir, através da China, peças idênticas às usadas no Kh-101 lançado em janeiro.

Embora os documentos russos analisados pelo Financial Times indiquem que as peças foram fabricadas no Ocidente, a verdade, segundo o jornal, é que todas as peças foram identificadas como sendo fabricadas na China, Malásia, Filipinas, Taiwan ou Tailândia. Segundo uma análise do gabinete do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fornecida ao Financial Times, um míssil Kh-101 pode conter mais de 50 peças diferentes produzidas no estrangeiro.

Relacionados

Europa

Mais Europa

Patrocinados