Rússia matou mais de 2.500 civis ucranianos em 2025, muitos longe da linha da frente

CNN , Ivana Kottasová
13 jan, 11:53
Uma mulher chora num parque infantil junto a um bloco de apartamentos onde um míssil russo matou 20 pessoas, incluindo nove crianças, em Kryvyi Rih, na Ucrânia, a 9 de abril de 2025. Evgeniy Maloletka/AP

Número de vítimas civis documentadas na Ucrânia no último ano foi 31% superior ao de 2024 e 70% mais elevado do que em 2023

Os civis ucranianos sofreram o ano mais sangrento desde que a Rússia lançou a invasão em grande escala do país em 2022, com mais de 2.500 mortos em 2025, segundo um novo relatório divulgado nesta segunda-feira pelas Nações Unidas.

A Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia afirma ter verificado a morte de 2.514 civis e o ferimento de 12.142 pessoas em consequência da violência relacionada com o conflito em 2025, quase todos em ataques russos contra áreas controladas pela Ucrânia.

O relatório da ONU mostra de forma clara que não há zonas seguras na Ucrânia: mais de um terço dos civis mortos ou feridos encontrava-se em áreas longe da linha da frente quando foi alvo dos ataques russos.

Em 2025, a Rússia intensificou de forma significativa a sua campanha de ataques aéreos contra cidades ucranianas, aterrorizando regularmente as populações civis com ataques em larga escala de drones e mísseis.

Num desses ataques, na semana passada, Moscovo lançou 242 drones, 14 mísseis balísticos e 22 mísseis de cruzeiro contra várias cidades numa única noite, tendo como alvo infraestruturas energéticas civis e deixando centenas de milhares de ucranianos sem eletricidade e aquecimento.

A ONU indica que o número de vítimas civis documentadas na Ucrânia no último ano foi 31% superior ao de 2024 e 70% mais elevado do que em 2023.

“Este aumento não foi provocado apenas pela intensificação dos combates ao longo da linha da frente, mas também pela utilização alargada de armas de longo alcance, que expôs civis em todo o país a um risco acrescido”, afirma Danielle Bell, responsável pela missão de monitorização da ONU na Ucrânia.

De acordo com as Nações Unidas, o ataque mais mortífero ocorreu na cidade de Ternopil, no oeste da Ucrânia, a 19 de novembro. Pelo menos 38 civis, incluindo oito crianças, morreram no ataque, e 99 pessoas, entre as quais 17 crianças, ficaram feridas. Segundo a ONU, dez famílias perderam dois ou mais membros cada.

Desde que a Rússia lançou a guerra em grande escala, em fevereiro de 2022, mais de 14.900 civis foram mortos, de acordo com dados das Nações Unidas baseados em mortes que foi possível confirmar.

As Nações Unidas têm alertado que os “números reais são provavelmente mais elevados”, uma vez que muitos relatos de vítimas civis “ainda aguardam confirmação”, além de a organização não ter acesso a territórios ocupados e dispor de acesso limitado a zonas próximas da linha da frente.

Relacionados

Europa

Mais Europa