Rússia é "ameaça direta” à União Europeia e prepara “agressão de longo prazo”. Para quem não percebeu bem: “Se não ajudarmos mais a Ucrânia, mais vale começarmos já a aprender russo”

18 jun 2025, 10:21
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Entre provocações, ataques e reforço das suas forças, Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, diz que Moscovo desafia a segurança europeia e obriga a uma resposta firme e concertada, sobretudo no apoio à Ucrânia, considerada a primeira linha de defesa da Europa

Na abertura do debate no Parlamento Europeu desta quarta-feira, a chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, lançou um aviso contundente: os tempos que vivemos são perigosos e a Rússia já representa uma ameaça direta ao território e à segurança europeia.

“Estamos a viver momentos muito difíceis e perigosos”, afirmou Kallas, sublinhando um conjunto crescente de ações russas que evidenciam uma estratégia agressiva de longo prazo contra a União Europeia. “A Rússia está a violar o nosso espaço aéreo, a fazer manobras militares provocatórias perto das fronteiras da União Europeia, a atacar comboios e aviões, a sabotar oleodutos, cabos de fibra ótica submarinos e redes elétricas, a assediar a nossa indústria, incluindo empresas que apoiam a Ucrânia, e a recrutar criminosos para operações de sabotagem. Tudo isto enquanto reforça sistematicamente as suas forças militares e amplia o seu arsenal nuclear”, denunciou. 

O investimento militar russo impressiona pelo seu volume: “No ano passado, a Rússia gastou mais em defesa do que toda a União Europeia junta. Este ano, está a gastar mais em defesa do que em saúde, educação e políticas sociais combinadas.” Para Kallas, estes números não deixam margem para dúvidas. “Isto é um plano de longo prazo para uma agressão de longo prazo. Não se gasta tanto em armamento se não se tiver a intenção de o usar.”

A chefe da diplomacia europeia apelou a que os países-membros acelerem a meta acordada na NATO de dedicar 5% do Produto Interno Bruto, reforçando que “o poder económico coletivo da Europa é imbatível”. E acrescentou: “Não acredito que haja qualquer ameaça que não possamos superar se atuarmos em conjunto e com os nossos aliados da NATO”. 

Kaja Kallas insistiu ainda na importância do apoio contínuo à Ucrânia, que qualificou como “a primeira linha de defesa da Europa”. “Sabemos que a Rússia só responde à força e a mais nada”, afirmou, reiterando o valor do pacote de sanções – já o 18.º – proposto pela União Europeia, que visa enfraquecer a capacidade russa para manter a guerra.

Mas o alerta final foi claro e direto. “Temos de fazer mais pela Ucrânia e, portanto, pela nossa própria segurança. Citando o meu amigo e secretário-geral da NATO, Mark Rutte: mais vale começarmos já a aprender russo. Quanto mais forte a Ucrânia estiver no campo de batalha, mais forte será na mesa das negociações quando a Rússia estiver finalmente pronta para dialogar.”

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