Londres está a ativar planos de guerra adormecidos desde a Guerra Fria: ameaça nuclear, ciberataques e sabotagem à infraestrutura nacional estão no centro da preocupação
O Reino Unido está, em sigilo, a preparar-se para um possível confronto direto com a Rússia. Segundo o jornal The Telegraph, o governo britânico deu luz verde à atualização de planos de contingência militares com mais de duas décadas, numa resposta direta ao agravamento das ameaças do Kremlin e à crescente tensão no cenário global.
Fontes do governo britânico confirmaram que os documentos classificados delineiam estratégias detalhadas para os dias imediatamente após um eventual ataque russo - seja por mísseis convencionais, ogivas nucleares ou ciberataques de larga escala.
O plano, elaborado pela Direção de Resiliência do gabinete do primeiro-ministro, traça os passos a seguir para manter a continuidade do governo em plena crise militar.
Governar em guerra: o regresso dos bunkers e da estratégia nuclear
O novo plano prevê orientações claras sobre quando o primeiro-ministro e o seu gabinete deverão procurar abrigo no bunker subterrâneo de Downing Street ou ser transferidos para fora de Londres. Inspirado no histórico War Book, um dossier ultrassecreto do tempo da Guerra Fria, o novo documento traça um cenário de resposta a um ataque nuclear e ativa protocolos para a proteção da família real.
O plano original prevê a divisão do país em 12 zonas de emergência, sob comando direto de ministros, chefes militares, polícias e juízes com poderes extraordinários. Já a infraestrutura vital, como redes ferroviárias, rodovias, tribunais, correios e telecomunicações, está a ser reavaliada para garantir resiliência em caso de conflito.
O plano inclui ainda a deslocação de obras de arte valiosas para a Escócia, enquanto a BBC será mobilizada para emitir instruções de sobrevivência à população, em caso de bombardeamentos. Alimentos e materiais estratégicos serão armazenados e sujeitos a racionamento, como nos tempos da Segunda Guerra Mundial.
O alerta dos especialistas: o Reino Unido está vulnerável
Vários especialistas britânicos têm vindo a lançar o alerta: o país está despreparado. O Reino Unido não só está em desvantagem em relação à Rússia e aos seus aliados no campo de batalha, mas também está mal defendido em casa. Com terminais de gás, cabos submarinos, usinas nucleares e centros logísticos expostos, os riscos de colapso são reais. Uma avaliação de risco divulgada em janeiro revelou que um ataque bem-sucedido causaria danos económicos graves e a paralisação de serviços essenciais.
Um alto oficial da Força Aérea britânica admitiu recentemente que, se os bombardeamentos que atingiram a Ucrânia na primeira noite da guerra tivessem ocorrido no Reino Unido, os mísseis russos teriam ultrapassado as defesas britânicas e destruído infraestrutura crítica.
Perante este cenário, vários oficiais pedem o desenvolvimento urgente de um sistema antimíssil semelhante à “Cúpula de Ferro” de Israel. As preocupações recaem sobretudo sobre os cinco reatores nucleares ainda ativos, cuja destruição libertaria material radioativo com impacto “catastrófico e duradouro” na saúde pública, no ambiente e na economia, segundo um relatório de Whitehall.
Ciberataques: a nova frente de guerra
A nova estratégia britânica de contingência aborda, pela primeira vez, a guerra cibernética, considerada pelos serviços secretos como a ameaça mais perigosa e imediata. De acordo com o MI5, hackers russos patrocinados pelo Estado são capazes de sabotar redes de tráfego, provocar apagões em larga escala e desativar departamentos governamentais inteiros com um simples clique.
Moscovo intensificou os ataques cibernéticos como retaliação ao apoio firme de Londres à Ucrânia. Em resposta, o Reino Unido declarou oficialmente a Rússia como uma “ameaça direta à segurança nacional” pela primeira vez na história.