Apesar do desgaste provocado por mais de quatro anos de guerra e dos danos crescentes causados pelos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa, Putin continua determinado em prosseguir a campanha militar e considera essencial alcançar uma vitória que possa apresentar como histórica
O presidente russo, Vladimir Putin, deverá intensificar a ofensiva militar na Ucrânia nos próximos meses, apesar dos esforços diplomáticos do presidente norte-americano, Donald Trump, para alcançar um acordo de paz.
De acordo com três fontes próximas do Kremlin ouvidas pela Reuters, os recentes ataques ucranianos em profundidade contra refinarias, portos e infraestruturas estratégicas em território russo endureceram ainda mais a posição de Putin. Em vez de abrir espaço para negociações, estes ataques terão reforçado a convicção do líder russo de que é necessário prosseguir a guerra até alcançar os objetivos definidos por Moscovo.
Duas das fontes admitem que existe uma "forte probabilidade" de uma escalada do conflito nos próximos meses. Uma delas, que afirma reunir-se regularmente com Putin, refere que o presidente russo acredita que uma vitória militar continua a ser possível, sobretudo através do controlo total da região do Donbass, no leste da Ucrânia.
Putin continua a rejeitar qualquer cessar-fogo ou compromisso que implique concessões significativas por parte da Rússia, segundo as mesmas fontes.
A posição contrasta com o discurso de Donald Trump, que nos últimos dias afirmou acreditar que tanto Putin como o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pretendem chegar a um entendimento e que um acordo estaria "mais próximo do que muitos pensam".
Enquanto Washington mantém contactos diplomáticos e promete reforçar o apoio militar a Kiev, o Kremlin considera que o aumento dos ataques ucranianos em território russo apenas dificulta uma solução negociada.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou esta quinta-feira que os Estados Unidos estão errados ao acreditar que a intensificação dos ataques da Ucrânia poderá aproximar o fim da guerra. Segundo Peskov, essas ações obrigam Moscovo a expandir a chamada "zona de segurança" junto à fronteira e afastam qualquer perspetiva de paz a curto prazo.
