Escolha do presidente russo não vem ao acaso. Para condecorar aqueles que vê como heróis da Rússia, Putin escolheu uma mulher que levou o país até à Polónia ou à... Crimeia
Esta terça-feira foi dia de celebrar os Heróis da Pátria na Rússia e Vladimir Putin não quis fazer a coisa por menos.
Abriu o grande salão de São Jorge e até recuou a Catarina, a Grande, num discurso claramente nacionalista em que quis homenagear o passado, mas também enviar vários recados para o futuro.
“Aqui, no salão de São Jorge, continuamos as tradições estabelecidas por Catarina, a Grande, curvando-nos aos heróis de todas as gerações, afirmando e enfatizando a continuidade da nossa história milenar”, afirmou, numa cerimónia em que distinguiu uma série de militares com a Estrela Dourada e no qual não deixou esquecer a imperatriz que liderou a Rússia por mais de 30 anos durante o século XVIII.
Para Vladimir Putin, toda a política da Rússia deve ser feita em torno da família e da pátria, mas também da força e das vitórias que residem na sua legitimidade histórica.
Palavras do presidente russo, claro, que servem de outra forma atendendo a um contexto de invasão e de guerra em que a Rússia reclama para si território que é legalmente da Ucrânia.
A tal legitimidade territorial é o que Vladimir Putin alega para dizer ao mundo que Crimeia, Donbass e até Zaporizhzhia e Kherson são russas.
“Agora, nestes tempos desafiantes, o país está novamente a reconhecer a força das suas tradições de glória militar e de dignidade”, reiterou, tentando encontrar um paralelo entre os combatem hoje na Ucrânia e os que combateram anteriormente pela Rússia, numa cerimónia que contou com vários antigos soldados da União Soviética.
Talvez por isso duas das medalhas tenham sido atribuídas diretamente a soldados que participaram na guerra da Ucrânia. Militares a quem Vladimir Putin agradeceu pela coragem excecional e pelos valores demonstrados nas suas missões.
“Debaixo das mais desafiantes condições de combate, demonstraram um altíssimo nível de profissionalismo, caráter de ferro e liderança. Fizeram tudo para assegurar o avanço das nossas tropas em zonas-chave. Obrigado pelo vosso serviço”, reiterou, pedindo “glória e memória eterna a todos os camaradas caídos pelas armas”.
Voltando a Catarina, a Grande, que muitos conhecem como a czarina das czarinas, não terá sido um nome invocando em vão neste contexto. Além do longo reinado, o seu mandato ficou conhecido pelo aproximar da Rússia às elites, mas, talvez mais do que isso, pelo ímpeto expansionista que levou o império a conquistar territórios como a Polónia ou... a Crimeia.