Angelina Jolie esteve sob ameaça de drones na visita à Ucrânia: “A Rússia segue, caça e aterroriza, é um safari humano”

9 nov, 12:08
Angelina Jolie em Lviv (Paul Conroy/EPA)

Em Mykolaiv e Kherson, Angelina Jolie encontrou escolas e creches enterradas em caves e um “zumbido baixo no céu” que nunca pára. Também encontrou gente que se reergue diariamente: "Eles encontram força; os governos deviam conseguir o mesmo”

Este domingo, Angelina Jolie descreveu no Instagram a recente viagem às regiões de Mykolaiv e Kherson com a Legacy of War Foundation: teve encontros com famílias na linha da frente e teve, ainda, uma rotina de risco, marcada por drones. “A ameaça era constante, pesada; ouve-se um zumbido baixo no céu”, escreveu Angelina, relatando que a sua comitiva teve até de parar, deixando um aparelho (ao que tudo indica russo) passar. A atriz, de capacete e colete, “com equipamento de proteção”, lembra que para si foram “apenas dois dias”, 5 e 6 de novembro últimos, mas para quem vive na frente de guerra  é assim “todos os dias”. 

Já tinha estado na Ucrânia antes, Angelina Jolie, na primavera de 2022, no caso em Lviv, com deslocados internos. Agora, no sul, viu escolas, clínicas e creches a funcionar no subsolo e escreveu que tropas russas “seguem, caçam e aterrorizam” moradores, falando numa espécie de “safari humano”. Kherson, separada por um rio das posições russas, sofre fogo frequente e pesado, com numerosos civis entre as vítimas. Ainda assim, Angelia diz-se inspirada pela resiliência ucraniana: “Transferiram escolas, clínicas e creches para caves reforçadas, decididas a que a vida continue. Foi difícil, mas inspirador, testemunhar. Muitas pessoas falaram-me do peso psicológico de viver sob ameaça constante e de um medo mais fundo: o de serem esquecidas pelo mundo”. 

No mesmo texto publicado no Instagram, a atriz norte-americana apelou a governos, “num mundo com tanta capacidade diplomática”, para protegerem civis, “todos os civis, por igual”, e trabalharem para pôr fim à guerra, citando não só a Ucrânia como o Sudão, Gaza, Iémen e República Democrática do Congo. Destacou ainda organizações ucranianas que apoiam crianças — Ukrainian Gen, Fight for Right, Help Ukraine e Marsh Zhinok —, “que têm uma coragem e competência extraordinárias”, e deixou esta frase: “Se eles conseguem encontrar força, os governos também deveriam ser capazes de fazer o mesmo”. 

A visita arrastou um episódio paralelo: circularam notícias de que um ucraniano da comitiva teria sido detido por oficiais de mobilização e levado a um posto de recrutamento. A imprensa local veio clarificar que se tratava de um oficial na reserva sem certificado médico válido, reencaminhado para regularizar a situação noutro local.

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