Administração Trump quer controlar importante gasoduto que liga Rússia à Ucrânia e à UE

CNN Portugal , JAV
13 abr 2025, 08:25
Gasoduto Sudzha Rússia a ligar à Ucrânia
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Gasoduto de 1.200 quilómetros da era soviética liga a cidade russa de Sudzha à cidade ucraniana de Uzhhorod, na fronteira com a Eslováquia

Os Estados Unidos querem controtar um gasoduto crucial na Ucrânia, utilizado para enviar gás russo para a Europa, segundo notícias este fim de semana, numa ação que está a ser descrita como um "golpe colonial". Em causa está o gasoduto que liga a cidade de Sudzha, no oeste da Rússia, à cidade ucraniana de Uzhhorod, a cerca de 1.200 quilómetros de distância, na fronteira com a Eslováquia e a União Europeia (UE).

Construído durante a era soviética, o gasoduto é uma parte fundamental da infraestrutura nacional ucraniana e uma importante rota energética para o país e todo o continente. As notícias surgem no rescaldo de mais um encontro entre autoridades norte-americanas e ucranianas na sexta-feira, para discutir as propostas da Casa Branca de Donald Trump para um acordo de minerais críticos.

O presidente dos EUA continua a exigir que Kiev entregue os seus recursos naturais como "reembolso" pelas armas que a anterior administração de Joe Biden vendeu aos ucranianos. Mas, como indica a Reuters, a última intenção declarada dos EUA é bem mais "maximalista" em comparação com as exigências originais feitas pela administração americana em fevereiro, quando a equipa de Trump exigia 500 mil milhões de dólares na exploração de metais raros, bem como petróleo e gás.

As negociações entre Washington e Kiev, adianta a Reuters, têm-se tornado cada vez mais acrimoniosas. Citando uma fonte próxima das conversações, a agência refere que o documento mais recente apresentado pelos americanos inclui uma exigência para que a Corporação Financeira Internacional para o Desenvolvimento do governo dos EUA assuma o controlo daquele gasoduto de transporte de gás natural.

Em 1 de janeiro, a Ucrânia cortou o fornecimento de gás russo à Europa quando o seu contrato de cinco anos com a empresa estatal russa Gazprom expirou. Ambos os países já tinham ganhado centenas de milhões de euros em taxas de trânsito, nomeadamente durante os primeiros três anos da invasão russa em larga escala da Ucrânia.

Em reação à notícia, Volodymyr Landa, economista sénior do Centro de Estratégia Económica, com sede em Kiev, disse ao Guardian que os americanos querem "tudo o que puderem ter", com exigências intimidatórias ao "estilo colonial" que, na sua opinião, têm poucas hipóteses de ser aceites por Kiev.

Há alguns meses, Volodymyr Zelensky, o presidente da Ucrânia, propôs dar aos EUA acesso ao subdesenvolvido setor mineral do país, sob um acordo que levaria a administração Trump a garantir o fornecimento de armas a Kiev em troca dos lucros dos investimentos nesse setor, a serem feitos em conjunto.

A proposta foi rejeitada por Trump, que manteve a exigência de acesso aos minerais mas rejeitando qualquer compromisso de segurança ou apoio militar em troca. Na semana passada, o líder americano acusou Zelensky de estar a tentar "abandonar o acordo" nunca fechado e disse que o homólogo ucraniano enfrentará "grandes problemas" se não o assinar.

Questionado pelos jornalistas, Zelensky disse na quinta-feira, na véspera de mais uma ronda negocial com os EUA, que está pronto para firmar um acordo para modernizar o país mas que só pode aceitar um acordo com "paridade" entre os dois lados e as receitas divididas "a meio".

"Estou a limitar-se a defender o que pertence à Ucrânia", disse. "O acordo deve ser benéfico quer para os EUA, quer para a Ucrânia. É a coisa certa a fazer."

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