Ex-ministro da Defesa da Ucrânia desafia Zelensky e pede eleições durante a guerra

18 ago, 21:00
O ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, fala com os jornalistas durante uma conferência de imprensa conjunta com o ministro da Defesa da Suécia, Pal Jonson, em Kiev, na Ucrânia, na quarta-feira, 1 de julho de 2026. (AP Photo/Efrem Lukatsky)
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Mykhailo Fedorov, afastado do cargo há pouco mais de um mês, defende uma solução para permitir que os ucranianos voltem a escolher os seus representantes, mesmo com a guerra contra a Rússia em curso. A proposta colide, porém, com a atual legislação ucraniana

O antigo ministro da Defesa Mykhailo Fedorov apelou esta terça-feira à realização de eleições durante a guerra, defendendo que o país precisa de recuperar mecanismos democráticos de escolha dos seus governantes.

Num discurso em vídeo divulgado esta terça-feira, Fedorov afirmou que a Ucrânia enfrenta uma "crise de governação" e criticou duramente a corrupção e a falta de responsabilização no poder. O antigo ministro defendeu a criação de um mecanismo que permita realizar eleições de forma legal, segura e realista, mesmo enquanto o conflito com a Rússia continua.

"Não podemos deixar que [o presidente russo, Vladimir] Putin decida quando os ucranianos podem escolher o seu governo", afirmou Fedorov, segundo o Kyiv Independent. O ex-ministro argumentou ainda que a democracia é parte daquilo que a Ucrânia está a defender na guerra.

Fedorov foi afastado do ministério da Defesa em julho, depois de apenas seis meses no cargo, numa remodelação governamental que provocou protestos e expôs divisões no aparelho político e militar ucraniano.

Segundo o próprio Mykhailo Fedorov, a saída foi-lhe comunicada menos de uma hora depois de uma reunião do partido Servo do Povo no parlamento. O responsável garantiu também que não havia qualquer conflito com Oleksandr Syrskyi, ainda que essa tenha sido uma das razoes apontadas por Volodymyr Zelensky.

“Foi mais um conflito em termos de pontos de vista. Temos uma certa visão da guerra com que chegámos. Nós, como Ministério da Defesa, não bloqueámos quaisquer decisões das Forças Armadas ou do líder”, reiterou.

Relativamente às eleições, há, no entanto, um obstáculo imediato à proposta: a legislação ucraniana impede a realização de eleições enquanto vigorar a lei marcial, que proíbe expressamente eleições presidenciais, parlamentares e locais durante esse período.

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