Luzes cortadas até 16 horas: ataques russos deixam produção elétrica ucraniana “a zeros”

9 nov, 10:14
Esta fotografia de longa exposição, tirada a 27 de outubro, mostra militares ucranianos a preparar um canhão de artilharia antes de disparar contra posições russas na região ucraniana de Kherson. Marko Ivkov/AP

Centenas de drones e mísseis russos atingiram a infraestrutura energética ucraniana. Ucrânia diz que esta é a maior vaga de impactos diretos desde o início da invasão

Este domingo, a Ucrânia entra em regime de escuridão por turnos: entre oito e 16 horas sem eletricidade em grande parte do país, enquanto equipas tentam remendar uma rede fustigada por centenas de drones e mísseis desde sexta-feira à noite, ataques que, segundo as autoridades ucranianas, fizeram pelo menos sete mortos e empurraram a capacidade de geração para “zero”. 

A Ukrenergo, operadora da rede de transporte de eletricidade da Ucrânia, confirma “cortes rotativos” e diz ter desviado fornecimentos para segurar hospitais e serviços críticos. Já a Centerenergo, empresa pública ucraniana de geração de eletricidade, fala em “produção parada”. E a ministra da Energia, Svitlana Grynchuk, descreve “uma vaga maciça de mísseis balísticos, extremamente difícil de intercetar”, como não se via “desde o início da invasão”.

A capital e os grandes centros do leste e do norte — Kiev, Dnipropetrovsk, Donetsk, Kharkiv, Poltava, Chernihiv ou Sumy — preparam-se para interrupções regulares, mesmo com reparações em curso e fontes alternativas a serem acionadas. 

No oeste, os drones atingiram subestações que alimentam as centrais nucleares de Khmelnytskyi e Rivne, a cerca de 120 e 95 quilómetros de Lutsk, respetivamente. Por isso, o chefe da diplomacia, Andrii Sybiha, pediu uma reunião urgente do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atómica e escreveu que “a Rússia está deliberadamente a pôr em risco a segurança nuclear na Europa”, apelando à China e à Índia que usem a sua influência para “travar os ataques”.

A aproximação do inverno agrava a matemática da energia: a Naftogaz (grupo energético estatal ucraniano que produz, armazena e comercializa sobretudo gás natural) contabiliza desde o início de outubro o nono assalto maciço à infraestrutura do gás. E, segundo estima a Escola de Economia de Kyiv, metade da produção de gás natural está parada. Ouvido pela Reuters, o especialista Oleksandr Kharchenko avisou que, se as duas centrais termoelétricas de Kiev ficarem mais de três dias desligadas com temperaturas abaixo dos –10 ºC, a cidade poderá enfrentar “uma catástrofe tecnológica”. 

Em paralelo, a Ucrânia tem intensificado ataques a depósitos e refinarias na Rússia para cortar receitas e provocar ruturas de combustível, enquanto Moscovo afirma ter abatido 44 drones ucranianos na madrugada deste domingo.

Entre reparações de emergência e racionamentos à escala nacional, o sistema procura equilíbrio: a Ukrenergo fala em alguma “estabilização temporária” graças a redirecionamentos de energia, mas admite “novos cortes” conforme avançarem obras e voltarem a cair mísseis. A guerra disputa agora, hora a hora, e para lá da linha da frente, o que chega a cada casa ucraniana: luz, calor, água.

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