"Isto é o inferno na Terra": ataque de Israel a campo de deslocados em Rafah faz "dezenas de mortos e feridos civis" - incluindo "crianças"

CNN Portugal , PP/AM - notícia atualizada às 12:50
27 mai, 11:48

ONU, que fala em "ataques horríveis", reporta a existência de um grande número de vítimas civis, "incluindo mulheres e crianças". França pede cessar-fogo imediato e diz estar "indignada"

Um ataque aéreo de Israel atingiu este domingo o bairro de Tel al-Sultan, na zona oeste de Rafah, onde milhares de pessoas estão deslocadas. Há registo de "dezenas de civis mortos", segundo as autoridades locais.

"Nunca antes na história se utilizou um tão grande número de instrumentos de morte em massa diante do mundo como está a acontecer agora em Gaza, onde a população está privada de água, alimentos, medicamentos, eletricidade e combustível, destruindo as infraestruturas e todas as instituições", acusa o Ministério da Saúde de Gaza.

"Trata-se de outro massacre atroz cometido pelas forças israelitas em Rafah, que até ao momento custou a vida a 50 mártires e fez dezenas de feridos, na sua maioria crianças e mulheres", diz o Ministério da Saúde de Gaza. Entretanto corrigiu os números: são "45 mortos", "23 dos quais crianças, mulheres e idosos". 

O porta-voz da Autoridade Nacional Palestiniana fala num "ataque deliberado do exército de ocupação" contra as tendas dos deslocados em Rafah, provocando um "massacre que ultrapassou todos os limites".

O presidente francês já reagiu - pede o fim imediato das operações israelitas: "Indignados com os ataques israelitas que mataram muitas pessoas deslocadas em Rafah. Estas operações têm de acabar. Não há zonas seguras em Rafah para os civis palestinianos. Apelo ao pleno respeito pelo direito internacional e a um cessar-fogo imediato", escreveu no X Emmanuel Macron.

 

"Os civis morreram no incêndio": Israel reage

O exército israelita foi o primeiro a anunciar que tinha lançado ataques contra um complexo do Hamas em Rafah, extremo sul da Faixa de Gaza, e admitiu ter ferido civis. "Um avião atingiu um complexo do Hamas em Rafah, onde operavam terroristas importantes do Hamas", declarou o exército israelita em comunicado, acrescentando ter "conhecimento de informações segundo as quais vários civis da zona ficaram feridos".

O exército israelita diz que fez o ataque "com base em informações precisas" e que visava dois altos responsáveis do Hamas, Yassin Rabia e Khaled Nagar. "A ala do Hamas na Judeia e na Samaria [Cisjordânia ocupada] é responsável pelo planeamento, financiamento e execução de ataques terroristas em toda a Judeia e Samaria e no interior de Israel", lia-se no comunicado militar israelita.

Segundo o governo israelita, citado pela Reuters esta segunda-feira, os primeiros resultados indicam que os civis de Rafah morreram devido ao incêndio que deflagrou após o ataque israelita.

Imagens publicadas nas redes sociais palestinianas mostram um incêndio de grande dimensão causado pelo bombardeamento aéreo de tendas. "Temos conhecimento de relatos de que, como resultado do ataque e do incêndio que foi iniciado, vários civis na área ficaram feridos. O incidente está a ser analisado", admitiu ainda o exército israelita.

O ataque israelita em Rafah ocorreu horas depois de o Hamas ter disparado, deste ponto da Faixa, oito "rockets" contra o centro de Israel, incluindo Telavive, pela primeira vez em cerca de quatro meses. Não há registo de danos graves ou feridos causados por este ataque.

Entretanto, o Hamas apelou aos palestinianos para que "se levantem e marchem" contra o exército israelita. "À luz do horrível massacre sionista cometido esta noite pelo criminoso exército de ocupação contra as tendas de pessoas deslocadas, apelamos às massas do nosso povo na Cisjordânia, em Jerusalém, nos territórios ocupados e no estrangeiro para que se levantem e marchem com raiva", lê-se num do Hamas.

"Inferno na terra"

A agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA) disse esta segunda-feira que as informações que chegaram dos ataques a famílias que procuravam abrigo em Rafa eram “horríveis”. "Há relatos de mortes em massa, incluindo crianças e mulheres. Gaza é o inferno na terra. Imagens de ontem à noite são mais uma prova disso".

O Comité Internacional da Cruz Vermelha afirmou que o hospital provisório que foi instalado em Rafah está a receber um grande afluxo de vítimas desta ofensiva, sendo que o número de pessoas feridas ainda não é conhecido.

Esta segunda-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia estão reunidos em Bruxelas e à entrada para o encontro vários países mostraram o seu descontentamento perante este ataque.O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, vai pedir aos outros 26 Estados-membros da União Europeia que emitam um apoio oficial à decisão do Tribunal Internacional de Justiça da ONU, que pediu a suspensão imediata da ofensiva em Rafah. A afirmação foi feita aos jornalistas em Bruxelas durante uma conferência de imprensa com os seus homólogos irlandeses e noruegueses.

Já a ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock, lembra que a decisão do tribunal da ONU tem mesmo de ser respeitada por Israel. "Nenhum refém israelita será libertado se mais pessoas tiverem agora de viver em tendas", afirmou Baerbock, referindo-se aos milhares de deslocados após os contínuos ataques de Israel. “O Direito Internacional Humanitário aplica-se a todos - e também à condução da guerra pela parte Israel."

A Áustria disse também ser necessário reativar a assistência fronteiriça da UE em Rafah, conhecida como EUBAM. “O que queremos é que a passagem de Rafah volte a abrir”, disse Schallenberg. Esta ideia também conta com o apoio da Alemanha.

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