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Zelensky diz que "a Ucrânia já se encontra numa tragédia tão grande" que não pode esperar até que a guerra no Irão termine

CNN , Christiane Amanpour e Ivana Kottasová
22 abr, 16:39

Em declarações à CNN poucas horas depois de a União Europeia ter finalmente aprovado um empréstimo crucial de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, Zelensky afirmou que obter esse dinheiro era uma questão de "vida ou morte" para o seu país

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, admitiu que a guerra no Irão desviou a atenção da agressão da Rússia contra o seu país, tendo afirmado à CNN que era um "grande risco" pensar que os esforços para pôr fim aos combates na Ucrânia só poderão recomeçar quando o conflito no Irão terminar.

Em declarações a Christiane Amanpour, da CNN, a partir do gabinete presidencial em Kiev, Zelensky afirmou esta quarta-feira que, embora as conversações técnicas com os Estados Unidos continuem a decorrer, não "vê oportunidade para se reunir… até que a questão, o caso do Irão, esteja encerrada".

Zelensky salientou que era um "desafio" o facto de a mesma equipa de negociadores norte-americanos – liderada pelo enviado dos EUA Steve Witkoff e pelo genro do presidente dos EUA, Donald Trump, Jared Kushner – estar a liderar tanto as negociações sobre a guerra no Irão como na Ucrânia.

E afirmou que, embora compreenda que os Estados Unidos estejam atualmente focados na sua guerra contra o Irão, era importante não se esquecer da Ucrânia.

O líder ucraniano afirmou que não era uma opção dizer que “falaremos sobre (a Ucrânia) um pouco mais tarde. … A Ucrânia não é ‘um pouco mais tarde’. A Ucrânia já se encontra numa tragédia tão grande que temos de encontrar uma forma de gerir isto em paralelo.”

Zelensky disse também à CNN que a guerra fez com que alguns fornecimentos de armas essenciais para a Ucrânia fossem interrompidos – especialmente mísseis antibalísticos, dos quais afirmou que a Ucrânia não estava a receber em quantidade suficiente devido à capacidade de produção limitada nos EUA.

Questão de vida e sobrevivência

Em declarações à CNN poucas horas depois de a União Europeia ter finalmente aprovado um empréstimo crucial de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, Zelensky afirmou que obter esse dinheiro era uma questão de "vida ou morte" para o seu país.

O empréstimo, prometido a Kiev há meses, sofreu um longo atraso porque o primeiro-ministro húngaro cessante, Viktor Orbán, o estava a bloquear, exigindo que a Ucrânia reiniciasse o fluxo de petróleo russo para a Europa. A sua derrota esmagadora nas eleições legislativas húngaras da semana passada eliminou um dos obstáculos e, esta quarta-feira, o trânsito de petróleo através do troço ucraniano do oleoduto Druzhba foi retomado, tendo os embaixadores da UE dado um acordo preliminar ao empréstimo.

Zelensky disse à CNN que, sem os fundos, a Ucrânia estava a ter dificuldades em fabricar a quantidade de armas que era capaz de produzir.

Ele deu o exemplo dos intercetores de drones, afirmando que a Ucrânia está atualmente a produzir cerca de mil unidades por dia – apesar de ter capacidade para fabricar 2000 por dia. "Mas não temos financiamento. É realmente uma questão de vida ou morte, de sobrevivência; para nos defendermos, precisamos muito deste dinheiro", disse ele à CNN.

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