Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, a ide do realizador à Semana Internacional de Cinema de Moscovo é apenas uma forma de “utilizar a cultura para branquear crimes ou servir de ferramenta de propaganda” — e isso é indesculpável
Woody Allen entrou neste domingo, ainda que só por videoconferência, no festival de cinema de Moscovo. Do outro lado da guerra, em Kiev, não houve meias palavras: “Isso é uma vergonha”, atirou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, num comunicado que não deixou margem para dúvidas sobre o peso simbólico da presença do realizador norte-americano em solo russo — mesmo que sem pisar o solo russo.
O texto oficial não poupou, pois, nos adjetivos: “A participação de Woody Allen na Semana Internacional de Cinema de Moscovo é uma vergonha e uma afronta à memória dos atores e cineastas ucranianos mortos ou feridos pelos criminosos de guerra russos durante a agressão contra a Ucrânia”.
Mais, segundo o Ministério: ao marcar presença num festival “que reúne apoiantes e porta-vozes de Vladimir Putin”, Woody Allen “ignorou deliberadamente as atrocidades que a Rússia comete todos os dias na Ucrânia há 11 anos”.
Ora, segundo a imprensa russa, o realizador de 89 anos surgiu em videoconferência este domingo, 24 de agosto, e falou sobre o futuro do cinema face à inteligência artificial, chegando mesmo a expressar a admiração que tem pelo cinema russo.
Kiev lamentou, lembrando que “a cultura nunca deve ser usada para branquear crimes ou servir de ferramenta de propaganda”.
O percurso de Woody Allen, seja como comediante, como argumentista ou como realizador foi marcado por prémios e aclamação, do público e da crítica, mas igualmente por diversas polémicas — desde logo do foro íntimo. A polémica (ou desconforto) com Kiev é só a mais recente.
