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Costa inicia contactos com o Kremlin para abrir canais diplomáticos

17 jun, 17:14
António Costa (EPA)
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União Europeia admite ter "interesses específicos que precisarão de ser defendidos" na guerra da Ucrânia

Um membro do gabinete do presidente do Conselho Europeu, António Costa, estabeleceu contactos diplomáticos com o Kremlin nas últimas semanas para abrir canais de comunicação com Moscovo, numa altura em que aumenta o debate europeu sobre um eventual envolvimento mais direto da União Europeia nos esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia.

Segundo fonte europeia, os contactos foram breves, decorreram ao nível diplomático e não incluíram qualquer discussão sobre matérias de fundo relacionadas com o conflito.

A mesma fonte sublinha que, em qualquer cenário futuro, a União Europeia terá "interesses específicos que precisarão de ser defendidos", razão pela qual considera importante manter canais diplomáticos estabelecidos com a Rússia.

Bruxelas insiste, contudo, que o bloco europeu não assume um papel de mediador entre Kiev e Moscovo. A posição oficial mantém-se centrada no apoio à Ucrânia para alcançar uma paz considerada "justa e duradoura".

A abertura deste canal acontece num momento em que cresce dentro da Europa a discussão sobre uma eventual participação europeia em futuras negociações entre Rússia e Ucrânia.

Nas últimas semanas, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, tem estado em estreita coordenação com líderes europeus sobre possíveis formas de contacto com Moscovo e sobre os temas que poderão vir a ser abordados quando existir um contexto político adequado para avançar.

A pressão para um maior envolvimento europeu intensificou-se depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter apelado aos líderes europeus para assumirem um papel mais ativo na criação das condições necessárias para facilitar futuras negociações de paz.

O argumento de Kiev surge também num contexto em que os Estados Unidos têm mostrado menor protagonismo direto no processo diplomático, alimentando dentro da União Europeia o debate sobre quem poderá representar o bloco caso avancem contactos formais com Moscovo.

Apesar disso, persistem divisões entre os 27 Estados-membros. Países como a Polónia e os Estados bálticos têm manifestado reservas quanto à abertura de negociações diretas, defendendo que isso poderá reduzir a pressão sobre a Rússia. Já outras capitais, incluindo Paris, têm demonstrado maior abertura à possibilidade de diálogo.

O tema deverá voltar a estar em cima da mesa na reunião de líderes europeus em Bruxelas, embora, para já, não seja esperada qualquer decisão sobre uma eventual representação formal da União Europeia em futuras conversações.

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