Soldados chineses capturados pela Ucrânia revelam que foram aliciados através das redes sociais

14 abr, 21:40
Soldados chineses capturados pela Ucrânia (EPA via Lusa)

Ambos os homens afirmaram também que não tinham qualquer ligação às autoridades estatais chinesas nem tinham servido no exército

Os dois soldados chineses capturados pela Ucrânia revelaram, em conferência de imprensa, que foram aliciados a juntarem-se ao exército russo através das redes sociais, nomeadamente o TikTok.

“Em algumas plataformas chinesas, como o Kuaishou ou o TikTok, há certos bloggers que promovem materiais promocionais semelhantes”, disse Wang Guangjun, um dos soldados, esta segunda-feira, citado pela Ukrinform. “Na China, é prestigiante ser soldado, mas nem toda a gente pode ser soldado. Por isso, as pessoas tentam participar nas hostilidades noutros locais”, completou.

Ambos os homens afirmaram que não tinham qualquer ligação às autoridades estatais chinesas nem tinham servido no exército.

Wang referiu que perdeu o seu emprego durante a pandemia e estava à procura “de uma nova opção”. Inicialmente, diz ter negociado com um recrutador russo para participar na reabilitação de soldados feridos, mas, posteriormente, “entrou no exército e não teve escolha”.

Wang Guangjun diz que chegou a Moscovo no dia 5 de fevereiro, realizou cinco dias de treino e foi depois reencaminhado para Rostov, tendo chegado à frente de combate no início de abril.

Percurso semelhante teve Zhang Renbo, o outro combatente chinês. Após revelar que trabalhava como bombeiro e vinha de uma família abastada, Zhang detalhou o seu percurso: chegou a Moscovo no dia 20 de dezembro, foi enviado para Rostov e, daí, para a linha da frente em Donetsk, onde passou um mês “de trincheira em trincheira” até à sua captura, a 5 de abril. 

De acordo com Zhang, havia mais dois chineses na sua unidade de combate. Wang referiu que havia cerca de uma dezena na sua. "A maior parte deles dedicava-se ao trabalho árduo, os russos não eram maltratados”, disse Zhang, que referiu que, na China, é promovida uma atitude favorável à Rússia.

"A China promove uma atitude amigável em relação à Rússia. (…) Antes de vir para a Ucrânia, qualquer informação [que via] era sobre as vitórias da Rússia - a Rússia capturou isto, aquilo".

Zhang referiu que lhe foi prometido um contrato no valor de dois milhões de rublos, pouco mais de 21 mil euros. “A guerra paga mais (…) mas, assim que chegamos lá, não há volta a dar. É uma armadilha”.

Tanto Zhang como Wang referem que estão dispostos a regressar à China, apesar das possíveis repercussões.

“Compreendo que pode haver uma punição e estou preparado para isso (...), mas mesmo assim quero voltar para casa, para junto da minha família”, afirmou Wang.

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