Dentro de uma semana há uma reunião decisiva para saber o que se vai fazer
Há mais de 200 mil milhões de euros da Rússia congelados na União Europeia e muitas ideias para os usar, até porque algumas entram em conflito com outras. Do lado de cá do Atlântico há quase consenso total: este dinheiro tem de servir para reconstruir a Ucrânia, funcionando quase como uma reparação de guerra.
Dito isto, há um problema. Dos 210 mil milhões de euros em causa, a esmagadora maioria está toda centrada na Bélgica - mais precisamente na Euroclear -, que está com sérias dúvidas sobre qual o próximo passo, uma vez que teme ter de vir a pagar tudo no futuro.
Para tentar contornar isso, os líderes da União Europeia marcaram uma cimeira para dia 18 de dezembro, onde esperam poder levar a melhor que Bart De Wever, o primeiro-ministro belga, que está a oferecer forte resistência por temer represálias no futuro.
Perante essa mesma resistência, os outros países da União Europeia trabalham já em formas alternativas de levar a sua avante. Uma delas é tratar a Bélgica como a Hungria, um Estado quase pária dentro do grupo dos 27 quando se trata de questões relacionadas com a Rússia. Uma decisão particularmente difícil, já que se trata de um dos mais indefetíveis apoiantes do projeto europeu, sendo inclusivamente fundador.
O que Bart De Wever teme é que a Rússia faça queixa da Bélgica no futuro e tenha de ser Bruxelas a indemnizar todo o dinheiro perdido, sob pena de ficar debaixo de sérias sanções em todo o mundo, ao abrigo dos mecanismos financeiros internacionais.
Para evitar isso, e de forma a que a proposta da União Europeia possa mesmo avançar, o primeiro-ministro belga pretende que lhe sejam dadas garantias financeiras robustas que cubram possíveis disputas legais e eventuais acordos. O problema é que muitos governos europeus se opõem a essa solução.
A Bélgica já fez chegar aos restantes países uma lista com uma série de alterações à proposta inicial, com Bart De Wever a ameaçar não apoiar a ideia caso as garantias não lhe sejam dadas.
O POLITICO refere que, no sentido de tentar chegar a um entendimento, os países europeus vão rever os pedidos belgas ponto por ponto, tentando chegar o mais perto possível das exigências feitas por Bruxelas.
Caso Bart De Wever continue a bloquear um acordo, a solução pode mesmo passar por um tratamento ao estilo do que é feito à Hungria.
Entre as maiores ameaças está uma coisa concreta: todos os diplomatas, ministros e líderes belgas vão perder poder no espaço comunitário; todas as exigências e desejos belgas vão para o fundo da fila.
Um diplomata que falou ao POLITICO vai mesmo mais longe: as propostas apresentadas não vão ser aprovadas e as chamadas não serão atendidas.
Tudo em nome da solidariedade com a Ucrânia, sim, mas também da segurança e da resiliência da União Europeia.
O jogo continua dia 18.