UE prepara-se para ataque a país fundador para ajudar a Ucrânia num passo essencial

11 dez 2025, 13:22
Ursula von der Leyen e António Costa (Virginia Mayo/AP)

Dentro de uma semana há uma reunião decisiva para saber o que se vai fazer

Há mais de 200 mil milhões de euros da Rússia congelados na União Europeia e muitas ideias para os usar, até porque algumas entram em conflito com outras. Do lado de cá do Atlântico há quase consenso total: este dinheiro tem de servir para reconstruir a Ucrânia, funcionando quase como uma reparação de guerra.

Dito isto, há um problema. Dos 210 mil milhões de euros em causa, a esmagadora maioria está toda centrada na Bélgica - mais precisamente na Euroclear -, que está com sérias dúvidas sobre qual o próximo passo, uma vez que teme ter de vir a pagar tudo no futuro.

Para tentar contornar isso, os líderes da União Europeia marcaram uma cimeira para dia 18 de dezembro, onde esperam poder levar a melhor que Bart De Wever, o primeiro-ministro belga, que está a oferecer forte resistência por temer represálias no futuro.

Perante essa mesma resistência, os outros países da União Europeia trabalham já em formas alternativas de levar a sua avante. Uma delas é tratar a Bélgica como a Hungria, um Estado quase pária dentro do grupo dos 27 quando se trata de questões relacionadas com a Rússia. Uma decisão particularmente difícil, já que se trata de um dos mais indefetíveis apoiantes do projeto europeu, sendo inclusivamente fundador.

O que Bart De Wever teme é que a Rússia faça queixa da Bélgica no futuro e tenha de ser Bruxelas a indemnizar todo o dinheiro perdido, sob pena de ficar debaixo de sérias sanções em todo o mundo, ao abrigo dos mecanismos financeiros internacionais.

Para evitar isso, e de forma a que a proposta da União Europeia possa mesmo avançar, o primeiro-ministro belga pretende que lhe sejam dadas garantias financeiras robustas que cubram possíveis disputas legais e eventuais acordos. O problema é que muitos governos europeus se opõem a essa solução.

A Bélgica já fez chegar aos restantes países uma lista com uma série de alterações à proposta inicial, com Bart De Wever a ameaçar não apoiar a ideia caso as garantias não lhe sejam dadas.

O POLITICO refere que, no sentido de tentar chegar a um entendimento, os países europeus vão rever os pedidos belgas ponto por ponto, tentando chegar o mais perto possível das exigências feitas por Bruxelas.

Caso Bart De Wever continue a bloquear um acordo, a solução pode mesmo passar por um tratamento ao estilo do que é feito à Hungria.

Entre as maiores ameaças está uma coisa concreta: todos os diplomatas, ministros e líderes belgas vão perder poder no espaço comunitário; todas as exigências e desejos belgas vão para o fundo da fila.

Um diplomata que falou ao POLITICO vai mesmo mais longe: as propostas apresentadas não vão ser aprovadas e as chamadas não serão atendidas.

Tudo em nome da solidariedade com a Ucrânia, sim, mas também da segurança e da resiliência da União Europeia.

O jogo continua dia 18.

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