Vêm aí dois encontros decisivos, um em Londres e outro em Moscovo. As presenças em cada um deles parece marcar uma tendência sobre a visão de Donald Trump, que quer ver o assunto resolvido já
Reuniões em Londres e em Moscovo na semana em que os Estados Unidos deram sinais de que estão a começar a ficar impacientes com a falta de resultados nas negociações para a paz na Ucrânia.
Donald Trump prometeu 24 horas para resolver a guerra e depois quis fechar a coisa até 20 de abril, mas os prazos que o presidente norte-americano impõe continuam a falhar.
Por isso mesmo afiguram-se como decisivas as reuniões marcadas para esta semana nas capitais de Reino Unido e Rússia, onde os mais altos responsáveis vão discutir concretamente o início do fim de uma guerra que dura há mais de três anos.
Em cima da mesa está, segundo o The Washington Post, o reconhecimento da Crimeia como território russo. A península foi anexada em pela Rússia em 2014 e a comunidade internacional pouco ou nada se importou, mas o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já disse várias vezes que a vitória inclui a recuperação integral do país, incluindo da zona banhada pelo Mar Negro.
Isso é o que os Estados Unidos vão levar a Londres, numa reunião que vai ter, além da Ucrânia, representantes de Reino Unido e França, os dois países europeus que lideram a coligação dos países dispostos, que se tem alinhado com Kiev à medida que a Casa Branca se aproxima mais do Kremlin.
E levam essa proposta com conhecimento de uma oferta feita por Vladimir Putin no início deste mês em São Petersburgo. Diz o Financial Times que o presidente russo apresentou ao enviado-especial de Donald Trump, Steve Witkoff, uma proposta em que admite parar a guerra na linha da frente para alcançar uma paz duradoura.
Como parte desse acordo, o presidente russo admitia abdicar de partes das quatro regiões que reclama (Lugansk, Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson - o que já exclui a Crimeia da equação). Não será algo muito diferente do plano que Keith Kellogg, o enviado-especial de Donald Trump para a guerra da Ucrânia, chegou a sugerir, e significaria, na prática, que a Rússia ficaria com todo o território que já conquistou.
Esses dois reconhecimentos (as quatro regiões e a Crimeia) serão a base para Vladimir Putin poder falar sobre paz, sendo que esta proposta agora conhecida é o que mais se aproxima de algo formal vindo do Kremlin.
Resta saber como vão reagir os responsáveis europeus às ideias da Rússia e às possíveis concessões dos Estados Unidos. Em Londres já não vai estar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nem o principal responsável da administração Trump em relação à guerra, Steve Witkoff. O primeiro fica nos Estados Unidos e o segundo vai antes a Moscovo. Para Londres segue Keith Kellogg, que virou personagem secundária - neste caso até terciária - nos esforços da Casa Branca para acabar a guerra.
Portanto, o chefe da diplomacia passou a bola, o número dois prefere ouvir Putin e sobra apenas a terceira opção para as conversações com Reino Unido, França e Ucrânia.
“Existe um trabalho intenso a ser feito. Estamos a falar com os americanos. O trabalho é difícil e requer muito tempo, pelo que é difícil esperar resultados imediatos e o trabalho não pode ser feito em público”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em declarações ao Financial Times.
Regressando ao início, recorde-se as palavras de Donald Trump, que espera que “se faça um acordo esta semana”, sob pena de os Estados Unidos saírem de cena, o que deixaria tudo ainda mais complicado.