Há dados novos sobre o que a Ucrânia está disposta a ceder, nomeadamente em território, mas também na dimensão das Forças Armadas. Kiev espera resposta dos Estados Unidos por altura do Natal
O presidente da Ucrânia admitiu, pela primeira vez, uma concessão de territórios à Rússia. Mas se isso acontecer, Volodymyr Zelensky quer que a decisão seja tomada pelo povo ucraniano, garantindo assim que a vontade popular é cumprida.
Confirmando que a Ucrânia entregou esta quarta-feira aos Estados Unidos uma nova proposta para a paz, Volodymyr Zelensky levantou o véu sobre algumas das alíneas ucranianas.
A concessão de territórios continua a ser o ponto de principal discórdia - até a Rússia já o admitiu -, mas o presidente da Ucrânia deu um passo em frente ao anunciar que isso pode acontecer, desde que legitimado pela vontade popular, nomeadamente através de um referendo.
Lembrando que a Rússia exige o domínio total do Donbass, sendo que não controla cerca de 25% da região que engloba Donetsk e Lugansk, a Ucrânia está agora pronta para aceitar a proposta dos Estados Unidos para criar uma “zona económica livre” em parte desse território, que Moscovo já reclama desde 2014.
É aí que os ucranianos devem ter uma palavra a dizer, sim, mas nada mais. Volodymyr Zelensky sublinhou que a discussão também decorre sobre Kharkiv, Sumy e Dnipropetrovsk, regiões onde a Rússia tem algumas partes de território. Omissa ficou a questão de Kherson e Zaporizhzhia, ambas reclamadas pela Rússia, e que não foram referidas pelo presidente ucraniano.
O presidente da Ucrânia falou ainda sobre outro ponto fulcral do acordo de paz. Os Estados Unidos sugeriram que as Forças Armadas de Kiev ficassem reduzidas a 600 mil militares, mas a Ucrânia quer esse número num mínimo de 800 mil, de acordo com a nova proposta.
Quanto à realização de eleições, que Donald Trump já pediu que aconteça o mais depressa possível, Volodymyr Zelensky sublinhou que é necessário garantir que elas acontecem de uma forma legítima.
A proposta está agora nas mãos norte-americanas, com o presidente da Ucrânia a sublinhar que não existem limites temporais para apresentar propostas ou receber respostas. Ainda assim, Volodymyr Zelensky deixou escapar que espera ter uma resposta dos Estados Unidos por volta do Natal.